segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O(s meus) Dia(s) da Rádio




Tenho pena de não encontrar a foto mais antiga de que me lembro, em que estava a fazer rádio. Deve estar em casa dos meus pais. Comecei aos 17 anos. Passei por seis rádios locais. Estive no nascimento de uma outra rádio (online) na faculdade. Tive muitos momentos maus, péssimos patrões, erros tremendos mas também muita coisa boa, que deu prazer de ouvir ir para o "ar". Fiz quase tudo. Programas de música, de informação, discos pedidos, rubricas várias, tardes desportivas, noticiários, reportagem... até publicidade. Existem mesmo (gravadas numa K7) brincadeiras engraçadíssimas que quase deram na criação (a sério) de uma personagem de um cantor "pimba", incarnado... por mim! Tudo com aquela magia. A da rádio. Não há nenhuma como essa. Como não há amor como o primeiro. Tenho saudades da rádio, do estúdio, do abanar do pé (tique horrível!) enquanto o microfone estivesse ligado, do conforto dos auscultadores, da luz "NO AR" a acender. Um dia hei-de voltar.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Chapadas de realidade


Há muito que aqui não vinha, por falta de tempo. Mas nem mesmo essa, a falta de tempo, justificaria não deitar cá para fora algo que (só de pensar nisso) dá vontade de manter cá dentro, custe o que custar. Mas não dá.


Uma pequena barra que passa de cinzenta a azul-vivo, um pequeno símbolo vermelho que se acende... uma mensagem espera por ser lida no Chat do Facebook. Esperamos sempre que seja algo de bom, vindo de um amigo... mas nem sempre é.


«Emprestas-me 100€ até 3ª feira?»

Não há como saber reagir a uma linha assim, de texto tão simples e de significado tão complexo. Ao dia 12  de um mês não se espera tal pedido, vindo do “nada”, venha de onde seja, venha de quem seja...


Os tempos são os que são. Sei disso. Sabemos disso. Mas a crise “bate a sério” é assim, com estas “chapadas de realidade”, que nos acertam de surpresa. E que doem.

Respondi «?», apenas com um ponto de interrogação. A resposta à minha resposta foi um seco «Esquece. Desculpa o pedido.»  O símbolo vermelho despareceu, a barra azul-vivo voltou a ficar cinzenta. A conversa terminou ali. Não havia mais mensagens para ler.

Não há, de facto, como saber reagir a algo assim. Nem sei mesmo ainda o que pensar deste pequeno-grande episódio, de nada e de tudo. Ou, melhor... Até já pensei bem, já depois do que se passou. E concluí que – apesar da resposta que dei ter sido má, reconheço – algo mais que dissesse não seria melhor. Em minha casa, os Euros são todos contados e todos têm destino exacto. Ajudaria dizer isso? Não. Justificaria alguma coisa? Sim, mas não ajudaria nada. Há 17 dias mais neste mês. Provavelmente os mesmos (se não mais...) até à chegada dos próximos Euros àquela conta, àquela família, que não pude ajudar. 

Espero o melhor, obviamente. Até 3ª feira. Até ao fim do mês. Até ao fim do ano.

E espero nunca vir a estar do outro lado de uma conversação assim. Na verdade, espero também nunca vir a estar deste lado, de novo, em situação semelhante. A frustração de não ter para dar a alguém tolhe-me. A mera ideia de não ter para dar à minha família devasta-me.


Raio de tempo, este...