quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Marco António, o #24 (honorário!) do GD Águas Santas
Ninguém (!) tem um equipamento completo e personalizado do Grupo Desportivo de Águas Santas,
da 2ª Divisão Distrital da AF Porto! NINGUÉM!
Ou, melhor... Perdão... TENHO EU!!!
Um OBRIGADO do tamanho do mundo pela simpatia e pela lembrança ao presidente João Paulo Martins e à Joana Branco, pelo serviço de "Express Mail"!
:-)
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Crónica
O “Zé” precisa de um segundo emprego
(publicada originalmente no site "The Speaker Corner")
Não há volta a dar. O “Zé” está metido em trabalhos.
Ou, melhor dizendo, está em apuros, porque trabalhos já os há em pouco e não
tarda haverá ainda em menos.
Muitas vezes, os políticos usam esta forma (de
apresentar o todo da população com recurso ao nome de apenas um) para dar a
ideia de uma suposta proximidade de um Povo, do qual não podem estar mais
afastados. O “Zé”, que é o “Povinho”, é trazido à baila em muitos discursos
políticos em tempo de campanha, por candidatos com papelinhos na mão ou
telepontos frente aos palanques, a tentar fazer crer que estão a improvisar,
minutos depois de supostamente terem “falado com um popular chamado Zé, na
arruada”. Curiosamente, as arruadas são acções de campanha em que os políticos
apertam mãos, distribuem abraços mas nem sequer ouvem o que as pessoas têm para
lhes dizer. Aliás, os “jotinhas” – qual misto de seguranças privados e claque
de futebol - certificam-se disso.
A verdade é que este “Zé”, “Povinho”, vê agora a
crise bater-lhe forte e feio; como nunca, de resto. E vê os políticos, que dele
– mas não com ele – tão bem falaram na tentativa (bem sucedida) de
conseguir o seu voto, a serem os mesmos que determinam que vai passar a receber
bem menos, a trabalhar bem mais e a pagar mais e mais impostos. E o “Zé”
soube-o de um momento para o outro, mais ou menos sem aviso, que teria dado
jeito. Se calhar até era isso que deveria ter estado escrito nos papelinhos e
nos telepontos logo de início, antes das eleições... mas não era.
Ao “Zé”, “Povinho”, resta
agora reagir, o melhor que souber e puder. A crise está aí e não se vai embora
tão depressa, isso é certo. Por isso – e não estou a dar novidade nenhuma – o
“Zé” precisa de se mexer. Sendo aquilo que já é; ou seja, sendo “Zé Povinho”,
mostrando aquilo que lhe vai na alma, que não lhe vai no bolso e que lhe vai
passando à frente, com espírito crítico e se possível com o bom senso para
saber com alguma exactidão o que é fazer parte do problema e fazer parte da
solução.
No entanto, isso não lhe bastará. O “Zé” precisa de um “segundo
emprego”. No meio da convulsão a todos os níveis que o presente já mostra e que
o futuro trará ainda mais ao de cima, o “Zé” tem para cumprir uma tarefa, mais
importante até do que ser simplesmente ele mesmo. Tem de ter capacidade de
manter-se firme e superar tudo isto, de dar a sua resposta positiva ao mal que
lhe vier. E esse mal virá, que disso não haja dúvidas. No fundo, o “Zé Povinho”
terá de ir buscar ao baú das recordações de infância o “Zé Sempre em Pé” e
fazer exactamente o que ele fazia. Manter-se de cabeça levantada, por muita (e
forte) pancada que leve, dê por onde der, com um plano bem pensado ou
recorrendo ao lusitano desenrascanço. Se não o fizer, não se safa, de certeza.
domingo, 23 de outubro de 2011
"De acordo com uns dados... vamos fazer uma reportagem"
Li – algures... – que iria realizar-se uma reportagem sobre
o suposto aumento no consumo de uma determinada gama de produtos. Li também –
nesse mesmo “algures”... – que servindo de base para a realização dessa
reportagem estavam dados... de um Centro Comercial.
Serei eu quem está do
lado errado do Jornalismo actual? Por vezes, sinto que sim.
PS: Tenho ideia de que a reportagem será mesmo feita; naturalmente, com base nos dados fidedignos
dessa entidade independente e certificada para a realização de estudos, que produzem dados, que por sua vez dão azo à realização de reportagens. Enfim...
terça-feira, 18 de outubro de 2011
De Coimbra a Sindey, passando por Setúbal, Rhein, Figueira, Leiria, Toronto, Lisboa... e acabando no chão da minha sala
Ao início da noite, enquanto brincava com a minha filha no chão da sala, reparei que ela tinha exactamente o mesmo sorriso que tinha ontem à noite, na mesma situação, precisamente no mesmo sítio da casa. Para ela, nada mudou nas últimas 24 horas. Já a minha disposição é esta noite bem diferente da que era ontem, quando brincava com a catraia; embora lhe mostrasse também eu o mesmo sorriso que tinha ontem à noite para lhe oferecer. A única diferença, hoje, é que o meu - embora sincero - requeria de mim algum esforço e o dela, como sempre, não.
Durante e após a apresentação das linhas mestras do OE2012 passaram-me mil coisas pela cabeça. Memórias, acima de tudo.
Lembrei-me de em 2004 estar a viver em Coimbra e de estar apaixonado por Portugal, com toda aquela cor e a alegria que se viveu no Euro de futebol. Isto apesar de estar a trabalhar em algo de que não gostava mas que a consciência me dizia ser bem melhor do que trabalhar na minha vocação só que numa empresa que me explorou durante três anos, sem qualquer tipo de escrúpulo. O tempo aí deu-me razão. A empresa fechou e quem lá ficou passou francamente mal.
Lembrei-me de em 2005, desvanecidas as cores do Euro2004, sem ligações sentimentais e ainda fechado num escritório como avençado do Estado a recibos verdes (com pressões políticas para ser "posto a andar" e com o IRS e o IVA a pagar a obrigar-me a pensar em ter um segundo emprego), pensar em sair de Portugal... para muito longe. Austrália ("Is it far enough...?!") parecia-me bem. Pesquisei e liguei para Sidney, à procura de oportunidades para um português na Oceania. E também voltei a ligar para o Canadá (tal como tinha feito em 2001, no fim do meu estágio e antes do início da vida profissional) a perguntar se alguém estaria interessado num jornalista lusófono por lá. Por que não...?
Lembrei-me de em 2006, já não com dois mas sim com três empregos (em Coimbra, Figueira da Foz e Leiria), ter recebido uma chamada para trabalhar naquilo que é a minha vocação, em Lisboa, "com o ordenado possível e sem promessas de ficar, depois de o contrato terminar", e abdicar de tudo o resto para acreditar em algo que era incerto mas...
Lembrei-me de em 2007, já com a situação contratual resolvida mas com um salário muito longe do que o público acha ser verdade e que me farto de ouvir na rua ("Vocês da televisão ganham todos muito bem!..." - tão longe...), me ter comprometido para o resto da vida e, com esse "Sim", ter optado (directa, conciente e inequivocamente) por deixar de tomar decisões sozinho e (indirectamente) por me fixar em Lisboa.
Lembrei-me então de que em 1980 os meus pais, emigrantes em Rhein (Alemanha) durante mais de 10 anos, decidiram acreditar que passada a convulsão do (pré e pós) 25 de Abril era boa altura para regressar a Portugal e garantir que eu e a minha irmã tivéssemos formação portuguesa. Mal sabiam eles que, passando Vilar Formoso, a coisa não seria boa. Nem em 80, nem em 81, nem em 82... e por aí além. (Aliás, ao regressar, eles passaram pelo que todos estamos também a passar agora. Pai... Mãe... Grande decisão a vossa!...)
Lembrei-me, por fim, que em 2009 nasceu a Benedita - que, agora com dois anos e dois meses, é sem dúvida o amor maior da minha vida - e que essa graça nunca teria sido possível caso os meus pais tivessem ficado na Alemanha (como deviam, já que a formação germânica, hoje em dia, seria um trunfo imenso, tanto para mim como para a minha irmã), se eu tivesse ido para a Austrália ou para o Canadá ou até se no fim do meu primeiro contrato em Lisboa me visse obrigado a regressar a Coimbra.
A minha vida mudou. Foi mudando. Hoje voltou a mudar outra vez. Para pior. A vida da Benedita mudará também, por arrasto.
A minha tarefa (nossa; minha e da minha mulher) será exactamente a mesma que os meus pais tiveram há 30 anos. Evitar que ela sinta demasiado os efeitos da recessão, como eles tentaram evitar que eu sentisse.
Isso e tentar manter intacto aquele sorriso dela, que me faz acreditar que, apesar de tudo (no passado, no presente e no futuro), a minha vida hoje é melhor. E mais feliz. Por causa dela.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Tão simples como oferecer flores.
E as palavras não murcham.
A amiga de que eu falava no texto anterior é a Marisa Rodrigues que, apesar de ser jornalista-'extraordinaire' (sim, dito assim mesmo, "à francesa" - "écse-trá-ór-di-nérre") de dois órgãos de Comunicação Social nacionais sediada na região do Algarve, mãe de uma catraia igualmente 'extraordinaire', esposa e uma verdadeira mulher de causas, consegue ainda ter a pachorra para se dar com pessoas que aproveitam pequenos comentários de Facebook para dissertarem sobre rolhas, alcaparras e moças roliças. Não vou citar nomes, obviamente.
Depois de lhe mostrar o texto que escrevi com base no comentário dela, disse-me que tinha ficado emocionada por ter-lhe "dedicado" um post no blog, porque nunca ninguém o tinha feito.
Acho isso um erro. Toda a pessoa merece que se escreva sobre ela, pelo menos uma vez na vida. Devia até fazer parte da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Seja num texto longo (como o anterior) ou num curto (como este), dedicar palavras ou simplesmente falar de viva voz acerca de pessoas que nos são queridas não custa nada e acho que tem um valor inestimável. Pode falar-se muito de imensas formas subjectivas, subtis, grandiosas ou discretas de demonstrar carinho ou admiração por alguém mas, no fundo, palavras - ditas ou escritas - podem valer tanto como, por exemplo, (e já que estamos a falar de uma mulher) o gesto de entregar um ramo de flores.
Com a vantagem de que as palavras não murcham. Nunca.
"Tu não és estranho. És diferente."
A frase não é minha mas sim de uma amiga, em relação a mim. Foi dita - ou, melhor, escrita - no Facebook, em jeito de comentário a um post que coloquei, comunicando aquilo que me apoquentava a alma no primeiro dia da minha segunda semana de férias (que, por infortúnio meu, será passada em casa e não no adorado Alentejo). Aliás, se a frase fosse minha, eu diria que não sou diferente mas sim, definitivamente, um tipo estranho.
Isto porque o que me atormentou todo o dia foi uma questão de... rolhas doseadoras de azeite. Sim. Leu bem. Rolhas doseadoras de azeite, para acoplar a uma qualquer garrafa de vidro e assim poder cozinhar sem ter a preocupação de inadvertidamente azeitar demasiado o que quer que vá cozendo no tacho ou na sertã.
Bem vistas as coisas, é uma preocupação válida para qualquer pessoa que goste de cozinhar. Certo. Mas também talvez seja - é mesmo! - um tormento um tanto ou quanto palerma para quem devia ter juízo suficiente para não perder tempo com ralações que envolvam rolhas cujo único propósito é reduzir o fluxo de óleo de azeitona entre um recipiente e outro.
Provavelmente, a minha amiga estava só mesmo a ser... amiga. Muitas vezes, dizem-se mentiras piedosas como "Tu não és velho. Tens é muita experiência de vida", "Tu não cozinhas mal. EU é que estou de dieta", ou "Não ficas nada feio com essa roupa. Aquele outro blazer é que te fica tão bem que devias ir já vesti-lo e trocar todo o resto da indumentária porque essa não 'joga' com esse tal casaco. Vai lá rapidinho que eu espero aqui. Vá! Já!"
Naquele momento tomei a frase dela como um elogio. Passadas umas horas depois... já não sei se a intenção dela foi assim tão elogiosa.
Eu sou o tipo que, de um momento para outro, se lembra de que a palavra alcaparra devia ser mais vezes dita em voz alta e escrita em documentos oficiais. Na verdade, nem a Comunicação Social dá grande atenção à alcaparra; e como é um simples legume, dificilmente se envolve em acidentes graves ou polémicas que justifiquem falar-se muito dela. Soube há dias que ela - sim, ainda estamos a falar da alcaparra - ainda tentou lançar o boato de que estava metida naquela coisa dos pepinos assassinos mas a coisa não vingou. Enfim. Azares que acontecem.
O que me parece, sinceramente, é que o que a minha amiga quis foi conjugar numa mesma linha - apesar de que em afirmações diferentes, consecutivas - os adjectivos que me queria atribuir; mesmo dizendo que um deles não seria propriamente para atribuir-me... mas era. Ou, vá... talvez fosse. Ou não.
Certamente Freud diria, acerca disto, que me terá faltado em miúdo espreitar por (mais) buracos de fechaduras de chuveiros de casas de moças roliças e casadoiras. Com o que ele não contaria é que nos anos 80 já poucas fechaduras eram daquelas que davam para espreitar com resultados minimamente satisfatórios (pelo menos, para um dos elementos, de um dos lados da porta).
Sim. Sou estranho e diferente. Talvez seja, no mínimo, um pouco dessas duas coisas. E até me parece plausível que seja diferente dos outros tipos estranhos que por aí pululam. Não sei.
Seja como for, a minha amiga terminou aquele mesmo comentário com uma expressão apaziguadora, como quem passa a mão na crina de um potro que acabou de esporear. "Tu não és estranho. És diferente. E ser diferente é bom. Acho..."
Obviamente, aquelas reticências no fim de tudo acabam por me deixar mais matéria de reflexão - quem sabe para os restantes dias da minha semana de férias. Agora que já não preciso de me preocupar com rolhas doseadoras de azeite...
Ah! Quase me esquecia! Após o post em que falei desse objecto do meu desejo (porque não tinha - era esse o meu tormento), disseram-me onde encontrar e saí de casa de propósito para comprar um par e aproveitei a ida ao hipermercado para tratar logo também de lhes fazer o "test-drive" numas Ameijoas à Bolhão Pato, com coentros frescos e regadas com azeite devidamente doseado, claro.
Posso ser estranho e diferente. Mas tenho bom gosto. Acho...
terça-feira, 4 de outubro de 2011
O barbeiro junto à Junta
Por minutos, andei perdido na aldeia à procura do salão do barbeiro, que a minha mulher me tinha dito ser "ao lado" da Junta de Freguesia. Passei pela Junta, olhei em volta, ... nada. Ou, melhor, nada excepto um café, uma mercearia, ... uma rua, com casas caiadas, de um lado e do outro. Barbeiro... nem vê-lo. Desci a rua (do Ouro, como nome igual mas tão diferente da da Baixa de Lisboa...) e nem uma alma a quem perguntar onde ficava o salão do barbeiro (ao meio-dia de um 3 de Outubro que mais parecia 3 de Agosto em pleno Alentejo havia pouca gente disposta a sair do fresco do entre portas, verdade seja dita).
Finalmente, uma senhora apareceu por ali, com duas sacolas nas mãos. Antes de me dar a (simples) informação que precisava, aproveitou para me fitar de cima a baixo e gozar o prato de me dizer "Claro que não é daqui! Eu conheço toda a gente!"... o raio da velha!... deve ser aquela que faz o "relatório" de quem vai e quem falta à missa ao domingo, está visto.
Lá acabei por ir para onde ela me mandou. Chegado ao (suposto) local do salão... nada. Ou, melhor, nada excepto uma cortina de fitas, igual a tantas outras que se vêem nas portas de quase todas as casas do povo. Ao sair de lá um homem percebi afinal que não estava perdido de novo. Isto porque entre as fitas que ficaram a dançar de um lado para o outro lá consegui, finalmente, vislumbrar a cadeira que me iria receber dali a momentos. Bastou isso. Aliás, teve mesmo de ser suficiente. Aquela porta nunca que nunca denunciaria ser mais do que uma simples porta, quanto mais ser a barbearia da aldeia.
Mal entrei, já estava fascinado por aquele lugar, que parecia saído de um filme dos anos 50. Ou então - agora que penso bem nisso - que dessa década nunca terá saído, na verdade, como se o tempo, ali, tivesse parado. Ou quase.
Duas cadeiras, lado a lado, senhoras de certa idade, bem apessoadas e de bom cabedal, ainda que visivelmente cansadas, mostravam estar ainda ali para as curvas mas só uma recebia clientes pagantes para serviços mais ou menos rápidos, de preço variável, consoante a necessidade que o homem em causa precisasse satisfazer. Os restantes móveis eram também antigos, certamente com o dobro da minha idade ou pelo menos parecendo serem "jovens", assim. As paredes davam a todo o cenário o retoque final do 'kitsch'. Parte cimeira em branco sujo (amarelado pelo tempo); mais abaixo, com azulejos azul-bebé, impecavelmente limpos, reluzentes, perfazendo uma tela de pequenos espelhos 10x10 só que... cor de piscina. Por fim - qual cereja... perdão... quais cerejas no topo do bolo! - a "decoração". Símbolos dos Sporting, vários, sendo um deles num espelho com uma moldura que, sinceramente, já não se usa. Recortes de revistas "da moda", com especial incidência - o pormenor mais "off" de todos - nas jovens estrelas dos "Morangos com Açúcar". Um rádio Phillips All Transistor de certeza no salão desde os anos 60 ("mas que ainda dá!", garante o barbeiro). Dois calendários, com mulheres desnudas mas com as vergonhas tapadas por pequenos pedaços de papel estrategicamente colados na pélvis das moças e maçarocas de milho dependuradas no mesmo prego que sustinha cada póster, o que atrapalhava imenso a vista sobre a "paisagem" das fotos. E um pequeno cartaz, mesmo ao cantinho do salão, da mítica série... "Bonanza". Eu, que sou um rapaz simples, fiquei extasiado com aquele quadro, confesso.
O barbeiro, na casa dos seus sessenta (embora bem disfarçados), exibia um bigode que me deixou algo apreensivo por momentos. Era mal feito, mal aparado, ... feio, há que dizê-lo. E isso só podia significar uma de duas coisas. Ou era homem para não ter grande talento para o ofício ou passar uma vida a tratar de pêlos e cabelos aos outros não quer dizer que seja coisa que se faça com a mesma qualidade a si próprio. Por sorte, o caso era esse mesmo.
Ao fim de cinco minutos, já a conversa ia adiantada. Já ele sabia quem eu era e o que fazia (o que é facto é que um minuto bastou para isso - terras pequenas...) e já eu sabia que ele era familiar de uma vizinha da avó da minha mulher, que tinha uma sobrinha que também tinha estudado em Coimbra (e que por lá ficou a trabalhar) num curso da mesma área que eu mas, acima de tudo, que ele tinha sido Presidente da Junta - a tal que era ali ao lado - durante uns bons anos.
Falou-me do amor pela terra que nunca deixou, apesar da filha viver numa vila um pouco maior e melhor não muito longe, das maravilhas de feira anual de vinhos e petiscos que um dia terei mesmo de visitar, em Cuba que também não fica a grande distância. Falou-me de ter sido autarca, presidente, candidato vencedor, primeiro, e vencido, depois, numa eleição em que a direita conseguiu uma inédita vitória pelas bandas do coração do Alentejo. Das alegadas tramóias do pai da candidata que o derrotou nas urnas, de como ele dava "uma torradeira, ali... um maço de notas, acolá" e da aparente doação ao clube de futebol da terra, que pouco depois viria a fechar por falta de verbas, mesmo antes da então Presidente da Junta se ausentar da aldeia para não mais regressar, nem para concorrer a novo mandato.
Falou mal, falou bem... falou com paixão de tudo aquilo que falou. Diz que falou "duas vezes para a SIC, até". E eu, maravilhado, ouvi-o, porque é de pessoas genuínas que gosto realmente. Falei-lhe também eu da minha família, que ele conhece de ouvir falar (vou a ver e fala-se de nós três - de mim, da minha mulher e da minha filha de dois anos - muito mais do que eu pensava - ou gostaria - na aldeia que visito só de vez em quando, por uns dias...). Falei-lhe do que faço e de quanto me fascinava uma foto que via ao lado do "Hoss" e do Ben Cartwright (a inesquecível personagem de Lorne Green no "Bonanza"). Uma fotografia muito antiga, a preto e branco, de uma equipa de futebol de que vim a saber... o barbeiro fazia parte do "onze inicial".
Ficou marcado novo corte de cabelo para "quando calhar". Ou então uma simples visita à barbearia quando voltar à aldeia, "só para pôr a conversa em dia, amigo!"
Gosto de pessoas assim. É bem provável que volte mesmo lá. Duas coisas terei como certas, pelo menos. Uma, é de que conversa da boa não faltará. Outra, é de que não volto a andar perdido à procura do barbeiro junto à Junta.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
! EXCLUSIVO !
Tutorial para enfrentar as mudanças no Facebbok
Compra-se uma chave daquelas tipo das lavagens automáticas, com furinhos. Bebe-se 2 golos de chá de camomila (sem isso, não funciona). Descarregam-se fotos para um balde com água. A seguir, passa-se a roupa que há em casa por passar e bebe-se um café forte (sem isso, não funciona!). Por fim, coloca-se a password no Facebook e espera-se que tudo corra bem. Simples.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
O que ainda não (se) disse acerca do prémio do programa Maisfutebol
O Maisfutebol no TVI24 recebeu o segundo prémio de Melhor Programa Desportivo de TV em pouco mais de dois anos de emissões. O primeiro, em Maio de 2010, foi atribuído pelo CNID (Associação Nacional dos Jornalistas de Desporto) e pela Meo. [Posts - e vídeo - sobre esse galardão aqui e aqui.]
O segundo, recebido há poucos dias, foi atribuído pela Liga Portugal (nova designação para a Liga Portuguesa de Futebol Profissional). [Notícia - com vídeo - do site Maisfutebol aqui.]
Ora... não é comum um programa de televisão em Portugal receber muitos prémios. Aliás, raros são os programa de televisão em Portugal com longevidade suficiente para juntar seguidores, quanto mais prémios. No nosso país faz-se muita televisão "chiclete", de mastigar e deitar fora rapidamente. O Maisfutebol no TVI24 ainda está na fase de saber se passa de "chiclete" a "comida a sério". Dois anos e quatro meses de emissões dão ao programa de sexta-feira à noite apenas um estatuto de jovem à procura da idade adulta, o que dá valor especial aos dois prémios já conseguidos, entre todos os programas desportivos de todos os canais de televisão. É uma espécie de "mundo dos grandes" onde um espaço num canal de cabo nascido há pouquíssimo tempo (e, durante muito tempo, existente apenas na plataforma ZON - o que, curiosamente, se verificava quando recebemos o prémio CNID/Meo) se bate aparentemente em condições de igualdade com programas em canal aberto... e vence!
O Maisfutebol no TVI24 é um produto diferente feito por pessoas que ousam pensar diferente e isso tem dado frutos. A fuga aos formatos existentes (que muitos consideram as fórmulas de sucesso) foi desde sempre um objectivo a atingir e, de facto, atingido. O resto - manter um programa sempre inovador, com ideias novas a surgir e dentro das possibilidades/limitações que o meio da Comunicação Social hoje tem - era (e tem sido) o mais complicado. O segundo galardão agora arrecadado, que mais não seja, tem o mérito de nos dizer que devemos estar a fazer algo bem feito, pelo menos. E o reconhecimento pelo esforço (acima de tudo mental mas por vezes também muito físico) que este programa exige é, mais do que tudo, uma forma de nos motivarmos para o dia seguinte.
Por fim, o seu a seu dono.
O Maisfutebol no TVI24 é um programa com um formato que é do agrado de muitos (apesar de passar apenas e só no cabo - embora já em todas as plataformas do mercado) mas não de todos, naturalmente. E, tal como acontece com os espectadores, o formato do programa é do agrado de muitos mas não de todos os profissionais da Comunicação Social, o que também não espanta minimamente. A diferença é isso mesmo. Não é pretensão nossa "agradar a Gregos e a Troianos" mas fazemos um esforço para agradar ao maior número possível de espectadores. São eles que nos interessam e por isso esforçamo-nos. Como consequência, o feedback que recebemos vai precisamente nesse sentido.
A todos os que gostam de ver e fazer o Maisfutebol no TVI24, o meu sincero obrigado.
Mas gostaria de agradecer também a quem normalmente não se agradece. À Cláudia Lopes, em primeiro lugar. Poderá parecer estranho mas como é ela quem recebe os prémios e sobe ao "palanque" para agradecer, nunca há um agradecimento para ela, que é a "cola" que junta todos os elementos do programa, seja a fazer os textos de pivot's de ligação entre as reportagens ou a lançar a conversa com os comentadores, seja a promover as reuniões de discussão de ideias (normalmente à quarta-feira), "chateando" (e bem!) tudo e todos para que a equipa se junte para o necessário brainstorming. Depois, a todos os jornalistas, repórteres de imagem, grafistas, sonoplastas, operadores de câmara, assistentes de realização e de estúdio, realizadores, copy's e editores de imagem que todos os dias, na editoria de Desporto e na redacção da TVI, contribuem com o seu trabalho e com as suas ideias (muitas vezes muito mais rebuscadas e engraçadas que as nossas) para o programa. E um agradecimento especial a três pessoas que trabalham sempre "escondidas" (porque é mesmo essa a sua função) mas sem elas não seria possível fazer o que fazemos. Paula Cristina, Cristiana Ferreira (produtoras da TVI) e Sílvia Carvalho (secretária da redacção do jornal online do Maisfutebol). São discretas mas absolutamente essenciais e a elas faço o meu agradecimento público.
Obviamente, à minha mulher e à minha filha já agradeci em casa, pela tolerância que têm ao aceitar ter-me menos tempo do que devia estar com elas. Se a primeira sabia ao que ia, a segunda não tem que ter a mesma compreensão. Ainda assim, aqui fica - devidamente escrito para a posteridade - que é maravilhoso poder contar com elas para tudo.
domingo, 3 de julho de 2011
...
Uma notícia totalmente inesperada pôs-me a pensar todo o dia nisto.
A resposta mais aproximada da correcta à mais velha questão da Humanidade pode muito bem estar na alma daqueles que, buscando o sentido da vida ou tentando dar sentido à sua vida, encontraram uma solução acreditando fazer sentido a sua própria morte.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Sobre Angélico (e casos semelhantes), apenas uma coisa...
Portugal vai somando "James Dean's". Impressionante.
Regredir para ser/fazer melhor
Durante anos foi assim que escrevi as minhas peças de televisão. No carro de reportagem, na viagem de regresso à delegação de Coimbra, de dia, de noite, de madrugada, em auto-estrada ou estradões de terra esburacados. Depois, já em Queluz... tudo escrito a computador. Mas agora... sinto necessidade de voltar às "origens". Até passo tudo "a limpo" depois para o computador mas para que a escrita saia bem tem de ser assim, ao ritmo do pensamento, à velocidade da esferográfica, ao soluço do erro e da correcção.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Eu e o mecânico que (se calhar) já fui
Se calhar, um dia, numa outra incarnação, fui mecânico. Um daqueles mecânicos com calendários de gajas com pouca (ou nenhuma) roupa a forrarem por completo as paredes da oficina. Se calhar. Na verdade, não sei. Mas devo ter sido. Só assim se explica porque é que acho tudo isto tão sexy.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Bem-vindos ao país (ir)real!...
Ciclicamente, durante duas semanas, os políticos saem dos seus casulos (gabinetes com ar condicionado e mais ou menos mármore e madeiras envernizadas) para se enfiarem - sim... é mesmo este o termo - naquele que julgam ser o país real.
Gosto sempre dessa suposta crença que os políticos têm, de que vão sentir o que sente o português comum, nas ruas do Portugal "normal". Gosto porque é uma mentira que julgam piamente ser verdade, tantas foram as vezes que a repetiram, mentalmente nas suas próprias cabeças e/ou à frente de um "espelho meu, espelho meu..." que os engana toda a santa vez que se põem à frente dele.
É interessante que durante as campanhas eleitorais se passe a ideia de que os candidatos desejam o contacto directo com o povo, quando o que se quer na realidade é ser bajulado pelos seus apoiantes de sempre. Apoiantes... militantes... chame-se-lhes o que se quiser... são seres curiosíssimos - davam excelentes estudos sociológicos, todo e qualquer um deles - sejam os que em determinada localidade estão à espera para bajular o líder que os visita ou os que vêm de comitiva e bajulam o líder onde quer que seja, de forma (quase) profissional, pintando da cor do partido, antes, durante e depois da passagem do líder - e com tudo o que se lembram - as ruas previamente escolhidas para representar o tal país real. Ruas visitadas sem fato, sem gravata, de manga de camisa, de calça de ganga... Porra, que o homem é mesmo um de nós! - alguém o há-de pensar. Um voto, logo ali! Tudo conta.
Durante quinze dias, o país visitado pelos políticos tem muitas feiras, muitas festas, muitos beijinhos, muitas peixeiras, muitas bandeiras, muitos panfletos, muitas t-shirts garridas com frases curtas de "Mudança" e "Confiança", muitos bonés, e muito sei lá mais com quê... Um país irreal, no fundo; só real durante aquele tempo, de carros coloridos com megafones, de almoços-convivio, de promessas, de acusações aos outros partidos com que no futuro se terá de fazer alianças.... Enfim. Os mesmos dias em que, subitamente, a democracia significa, afinal, não que se diga livremente o que se pensa mas sim que ninguém pode discordar do líder partidário que contacta com o povo. Valha-nos Deus se assim acontece! Por ser tão rara essa visita, talvez o povo tenha mesmo esse dever de se sentir agradecido e não afrontar o líder, até porque fica mal nas reportagens da televisão às oito da noite, quando um bate-boca corre mal. Por vezes acontece. O repórter divulgou, o malvado! Alguém viu. Porra, que o homem é malcriado. Um voto perdido, logo ali. Tudo conta.
Por isso, lá vêm os apoiantes, fiéis, leais - quais cãezinhos que protegem o dono - a afastar possíveis detractores ainda o líder não passou naquela arruada... perdão!... naquela "onda de vitória" (oiço isto todas as campanhas, de há uns anos para cá, mudando apenas, por vezes, o termo vitória por dinâmica; enfim... pormenores). Por vezes a coisa não corre bem. Há arrufo, uma chapada ou outra, aqui e ali, mais qualquer coisa, de vez em quando... No fundo, coisas que acontecem no dia-a-dia do tal país real - pensam os candidatos... ou pelo menos, parece que pensam, porque desvalorizam sempre os desacatos. Desde que o repórter não tenha visto... tudo bem.
E depois, no fim de tudo, vai-se a votos e... tudo pára. Param as palmas, as frases feitas, os slogans, os comícios, as arruadas, as feiras, os beijinhos, as bandeiras... e pronto. As peixeiras voltam a ser lembradas na próxima campanha. Voltam-se a vestir os fatinhos. Tudo volta à normalidade.
O país real cansa! - dizem eles, que a partir dali voltam a preferir o conforto do país real das conferências de imprensa, dos Passos Perdidos, das Comissões Parlamentares, dos comentários políticos nas TV's, das inaugurações, das visitas de ao estrangeiros, das negociações de orçamentos, da nomeação de assessores... A "Mudança" e a "Confiança" continuam a ser as palavras vãs que sempre foram mas voltam a ser guardadas numa qualquer gaveta de uma secretária de madeira envernizada num gabinete com mais ou menos mármores e com um bom ar condicionado. Que mal passei eu na campanha!... Tanto calor!... Suei tanto!... Tanto aperto!... Tanta gente que me queria ver, apertar a mão, mostrar-me a sua confiança... Vida dura, aquela, de contactar com o povo do país real, ouvir as suas preocupações... não é, espelho meu?...
terça-feira, 31 de maio de 2011
Ser feliz no trabalho (também) é isto!...
Gosto de gostar das pessoas de quem realmente gosto. Algumas dessas pessoas trabalham comigo. Hoje cheguei à minha secretária e tinha um papelinho por baixo do teclado do computador em que estava escrito...
Maravilhoso!
domingo, 29 de maio de 2011
"Webcedário", o livro, já está à venda
e é apresentado a 2 de Junho!
Já está nas livrarias... "Webcedário", da Editorial Bizâncio, "o livro dedicado às letrinhas, essas nossas amigas..."
Um projecto que teve origem na blogosfera (no blog Webcedário) e do qual tenho o imenso orgulho de fazer parte, ainda que de forma muito simples. O lançamento oficial será no próximo dia 2 de Junho.
É um livro de humor diferente de tudo feito até hoje em Portugal. São pequenos cartoons sobre letras e sinais gráficos (caracteres, basicamente) que ganham vida para diálogos perfeitamente inesperados. (Alguns exemplos, aqui.)
O autor, "ABC Dário", é um amigo desde 2005, precisamente dos tempos em que ambos mantínhamos os nossos blogues actualizados diariamente. A mim, sempre fez sentido passar os cartoons com as letrinhas como protagonistas para o "papel" e isso finalmente aconteceu. É uma realidade e o livro já está à venda nas livrarias (com o preço de capa de € 9.50) e online (com preços a partir de € 8.54).
A minha participação neste livro é como "artista convidado", estatuto que divido com com Joaquim Cardoso (outro amigo feito também em 2005, exactamente no mesmo contexto da blogosfera). Cada um de nós tem uma página assinada no livro. Para mim, é uma honra imensa e um tremendo gozo. Toda e qualquer oportunidade para fugir à obrigação permanente de ser objectivo e “qualquer-coisa-mente” correcto é benvinda. E, pela primeira vez, essa minha "veia" fica de alguma forma eternizada em papel e não somente em posts de blog ou de redes sociais.
O convite para o lançamento oficial aqui fica!
O convite para o lançamento oficial aqui fica!
domingo, 15 de maio de 2011
Sinhôzinho Malta: Certo ou Errado (para Portugal)?
Errado, obviamente.
Um post de uma amiga minha no Facebook rezava o seguinte:
"Isto tá a precisar é de um Sinhôzinho Malta!"
A minha imediata reacção foi fazer um "Like!" e comentar "Boa ideia!" Mas depois fiquei a pensar naquilo e acabei por chegar à conclusão de que não gosto assim tanto disso porque também não acho assim tão boa ideia. A minha explicação é simples (espero).
Em Portugal, Sihnôzinho Malta não se safava.
Apresentar 50% de hipóteses (estar "certo" ou estar "errado") para levar a sua avante, em Portugal... não cola! Por cá, ou se "está certo, mas..." (as vezes que for necessário e por muito certo que se esteja), ou se "está errado, mas isso com jeitinho faz-se na mesma", ou se está "completamente a leste do que é certo ou errado mas faz todo o sentido", ou se está "errado mas se calhar dá para ninguém se aperceber que isso custa mais uns milhões e a gente ainda põe algum ao bolso", ou se "está certo mas nunca na vida ('Jámé!!!') se fará o que foi pensado e estudado e proposto com conta peso e medida"...
Podia continuar a dar exemplos mas acho que estes já dão uma ideia de que, obviamente, o "Simplex" preconizado por Sinhôzinho Malta nunca (que nunca) faria 'escola' em Portugal. Não! Por muito que chocalhasse o relógio e as pulseiras...
domingo, 8 de maio de 2011
A minha humilde contribuição para a "guerra" Portugal-Finlândia
Depois do video feito pela CM de Cascais para chamar a atenção da Finlândia "What the Finns need to know about Portugal" e do video de resposta "What Portuguese should know about Finland"... aqui fica a minha contribuição para acicatar os finlandeses um pouco mais.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
"Faz o que eu digo..."
Em 2011 (século XXI, portanto) há empresas que chegam ao paradoxo de denunciarem as chamadas injustiças laborais de outras empresas mas que as praticam, igualmente ou até de forma mais escabrosa. Ter pessoas alegadamente à experiência, não remuneradas, sem contrato profissional ou de estágio, com trabalho seu a ser lançado - duvido que previamente (re)visto - para o público... no mínimo, faz-me confusão. No máximo, parece-me ser puramente ilegal. Mas acontece. A comunicação social costuma relatar esses casos...
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Telmo a deputado! JÁ!!!
(dirão alguns... não sei bem quem...)


A inclusão de Telmo Ferreira - Ena!... tem um apelido!!! - antigo concorrente da primeira edição do Big Brother, nas listas do PS, por Leiria, para as Eleições Legislativas serve de pouco mas interessa muito.
Serve de pouco, porque o rapaz está em posição não elegível. Ou seja, pouco serve ao próprio Telmo ser 14º dessa lista, pelo menos para já. E pouco servirá falar muito de um 14º candidato que decerto não chegará a São Bento, se não em dias de visita. Mas interessa muito, porque levanta uma questão pertinente que se prende com o que será necessário - quais as qualidades essenciais - para chegar ao cargo de Deputado da Nação e para o (bom) desempenho dessas funções.
Mesmo que o Telmo seja um bom rapaz... mesmo que seja - como o caracteriza Miguel Chagas, do PS/Batalha, proponente do nome para as listas distritais - "um jovem empresário" cheio de valor, que "facilmente pode ser reconhecido por ter participado num programa de televisão", poucas dúvidas haverá acerca do factor determinante para a escolha do moço para estas andanças. A notícia tem levantado polémica mas eu proponho que se veja a coisa por este prisma:
Aquilo que estamos a assistir - neste caso, por exemplo - é o que agora se chama de "exercício da cidadania". A cada x anos, há palavras que surgem e que pegam de estaca, a ponto de, passado algum tempo, termos as mais altas figuras de um país a (perdoem-me o termo) "vomitá-las" por toda a parte. Nos 80's foi o "efectivamente", que nada diz e serve apenas para dar ênfase a algo já dito anteriormente e que, provavelmente, se vai repetir a seguir. Agora fala-se em cidadania como se fala de chicletes. A diferença é que as chicletes sempre têm algum sabor, para além de distrairem a malta.
Ser-se político (desde sempre uma ocupação com "boa" fama), hoje em dia, já não se trata de uma opção de quem gosta de ter/exercer poder. Pelo menos, não é isso que os políticos dizem ser a razão pela qual enveredaram pela carreira política. Dizem antes que ser político é, sim, um acto de cidadania, que é algo mais agradável ao ouvido. Como em tudo na vida, este exercício de cidadania corre bem a alguns e mal a outros, conforme a elasticidade que se tem para fazer contorcionismo nesta... nobre actividade.
O facto deste Telmo (e alguns outros, em quase todos os partidos) surgir nas listas para a eleição de deputados parece ser, portanto, algo que devemos considerar como feito, apenas e só, em prol do cidadão. Nada mais. E, sendo assim, se calhar devíamos era estar muito agradecidos por isso.
Ou não...
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Meio vazio ou meio cheio?...
Um dia hei-de conseguir perceber o "equilíbrio" entre a expressão "ter a mais nunca é de mais" e a máxima do "copo meio vazio ou meio cheio". Eu sou dos que preferem ter o suficiente e um pouco mais, por exemplo. Mas há quem veja um copo meio cheio e despeje parte do que lá está, para depois alegar que, afinal, está meio vazio.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
"Vai vir chártéres!!!"
Sócio!!! Estou concentradíssimo a ver esta "promo"!!!
"MAISFUTREBOL" é uma excelente promo de Cláudia Lopes, Marco Coppelli, Miguel Somsen, Pedro Sepúlveda, Vasco Mota, Marcos André, António Capote, Maria José Arcanjo e... Paulo Futre!!!
terça-feira, 12 de abril de 2011
Coisas que (não) acontecem...
Acho lamentável não ter havido centenas ou milhares de pessoas, em êxtase, com cachecóis e bandeiras do FMI, fazendo uma festa à chegada dos senhores ao aeroporto e pelas ruas de Lisboa por onde eles se deslocaram, como se faz quando as equipas da bola regressam a casa após uma grande vitória.
Sério! É que os cromos da bola... só jogam à bola. E estes senhores, segundo dizem, é que vão salvar o país da bancarrota...!
Rachel, a Jornalista (que agora muita gente vai ouvir)
A 5 de Março, escrevi aqui no blog, sobre Rachel Sheherazade (a jornalista de uma TV local do Brasil que criticou o Carnaval):
"adivinho não estará na TV Tambaú muitos mais dias ou semanas, até que o telefone toque para seguir para S.Paulo ou para o R.Janeiro, para uma TV nacional".
Ora... a 14 de Março, a SBT (canal nacional que emite a partir de São Paulo) contratou a jornalista e fala-se mesmo que pode vir a tornar-se 'pivot' das principais notícias da estação. Não é nada que me espante, como de resto fiz questão de deixar escrito logo que vi o video em que ela "desancava" no tão amado e protegido Carnaval brasileiro. Como também escrevi nesse post:
"O meu aplauso para ela, que pelos vistos faz bem aquilo que tem de fazer. E é bom para o público em geral, que terá alguém com as ideias no sítio e uma boa imagem para ajudar a passar melhor a mensagem."
Tinha prometido dar novas quando soubesse da evolução do caso da Rachel Sheherazade. Aqui estão elas. Parabéns Rachel! E... muitas felicidades!
"adivinho não estará na TV Tambaú muitos mais dias ou semanas, até que o telefone toque para seguir para S.Paulo ou para o R.Janeiro, para uma TV nacional".
Ora... a 14 de Março, a SBT (canal nacional que emite a partir de São Paulo) contratou a jornalista e fala-se mesmo que pode vir a tornar-se 'pivot' das principais notícias da estação. Não é nada que me espante, como de resto fiz questão de deixar escrito logo que vi o video em que ela "desancava" no tão amado e protegido Carnaval brasileiro. Como também escrevi nesse post:
"O meu aplauso para ela, que pelos vistos faz bem aquilo que tem de fazer. E é bom para o público em geral, que terá alguém com as ideias no sítio e uma boa imagem para ajudar a passar melhor a mensagem."
Tinha prometido dar novas quando soubesse da evolução do caso da Rachel Sheherazade. Aqui estão elas. Parabéns Rachel! E... muitas felicidades!
Cláudia, a Jornalista
Fiz, (in)directamente, parte da formação dela, antes de se lançar no mundo do trabalho na Comunicação Social. Optou por fazê-lo onde é mais difícil... ou mais fácil – depende da perspectiva. Se, por um lado, as ligações à terra e a menor competitividade podem facilitar a entrada num primeiro emprego, a informação local – sempre o disse e mantenho – é a vertente mais complicada do Jornalismo, devido à facilidade com que as pressões dos pequenos interesses e pequenos poderes são exercidas sobre quem quer informar com independência. Quando fiz informação local, um indivíduo que tinha sido casado com uma parente afastada minha pediu o meu número à minha mãe para me ligar e tentar passar um “recado” a um colega meu... enfim... Tal como me ligaram autarcas, empresários, agentes de autoridade, padres(!)... a tentar pressionar-me para não divulgar notícias que não lhes eram convenientes. A Cláudia, mesmo sabendo disso, arriscou, criou um projeto do “zero” e fê-lo crescer de forma saudável. Nos últimos tempos, várias movimentações internas e externas – mas, sobretudo, muito próximas (ainda para mais num meio pequeno) – colocaram-na numa posição ingrata, de muito possivelmente ter de continuar perdendo a liberdade de fazer Jornalismo com total independência. Ela pensou e tomou a decisão mais difícil. Deixou o jornal que criara, vendeu a sua parte do título abaixo do seu valor real mas ficou infinitamente mais rica na hombridade que um jornalista (ou, melhor, um Jornalista – com letra maiúscula) deve ter e acreditar que tem. A Cláudia não é, de momento, jornalista. Mas é uma Jornalista.
terça-feira, 5 de abril de 2011
O Futebol de que eu gosto...
Campo da Pepita, "casa" do CF Trafaria
O Futebol de que eu gosto não tem apedrejamentos, nem balas de borracha, nem claques de gente a espumar por uma sessão de porrada, nem comunicados (nem irados, nem irónicos), nem "casos" por tudo e por nada.
Tem gente genuína, que gosta mesmo de bola. Tem "mines", coiratos e grelhados.
Tem amor à camisola, mesmo que ela se rasgue no pelado...
sexta-feira, 18 de março de 2011
Dia do Pai (no infantário)
Na pequena sala do infantário (anormalmente povoada de miúdos e graúdos), sempre que se afastava de mim, aquele "palmo-e-meio" de gente olhava em volta, por entre os outros "palmo-e-meio's" e as pernas dos pais, atarantados sem saber bem o que fazer e onde estar para não atrapalhar a brincadeira geral. Os olhos pequenitos percorriam a sala e lá me encontravam sentado no chão, exactamente no mesmo sítio de onde ela tinha saído momentos antes. Aconteceu uma "mão cheia" de vezes. Em todas, acabou por correr de braços abertos, para um abraço reconfortante. Para o pai, babado de tanto amor. Para ela, pouco habituada a ter-me tanto tempo ali, no mundinho que é o seu. A minha Babalu.
sábado, 5 de março de 2011
A Rachel deu uma opinião para algumas pessoas
(mas que muito mais gente acabou por ouvir)
Quem me conhece sabe que sou um adepto da rede social Facebook. Não sou tanto do Twitter, embora "tweet'e" de vez em quando (e muito provavelmente vou "tweet'ar" este post lá, porque faz sentido). Esta jornalista de uma televisão regional brasileira fez um comentário num espaço de opinião que ela tem na TV Tambaú. Foi na quarta-feira passada e foi sobre o Carnaval, um tema delicado (quando se trata de discordar da forma como é vivido) no Brasil. Pouca gente terá visto o programa e ouvido as palavras da Rachel (pronuncia-se como Raquel, embora se escreva Rachel). Mas depois o video [que se pode ver imediatamente abaixo] foi parar ao YouTube e o link do video ao Twitter. Por esta altura, já praticamente todos os brasileiros terão ouvido as tais palavras polémicas (e bem ditas, na minha opinião). De tal modo que fez um novo video [abaixo do primeiro] a falar sobre a repercussão do anterior. As redes sociais são também isto. E os tempos que correm... também. Bom para ela, que adivinho não estará na TV Tambaú muitos mais dias ou semanas, até que o telefone toque para seguir para S.Paulo ou para o R.Janeiro, para uma TV nacional. O meu aplauso para ela, que pelos vistos faz bem aquilo que tem de fazer. E é bom para o público em geral, que terá alguém com as ideias no sítio e uma boa imagem para ajudar a passar melhor a mensagem. É um caso a acompanhar, o desta Rachel Sheherazade*. Quando (ou se) houver novidades, volto a falar nela aqui.
* - Não há rosas sem espinhos nem bela sem senão. O apelido é quase impronunciável!...
quarta-feira, 2 de março de 2011
Vida preenchida (ou cheia de mais?)
A propósito da dificuldade em rever pessoas de quem gostamos mas que estão longe, por causa de ter vidas muito atarefadas e pouco tempo disponível para viagens e afins... chego à conclusão de que a nossa vida está demasiado cheia de coisas que lá pomos dentro. E é pena.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Adeus (Obrigado!*) e Boa Sorte!
Para Liedson no Sporting... fim. Resolveu. Está resolvido.
* - Independentemente do emblema de que se goste, só alguém que não entenda o futebol como um espectáculo fantástico não será capaz de agradecer ao "Levezinho" tudo aquilo que trouxe ao futebol português.
sábado, 29 de janeiro de 2011
A Cadeira Vazia...
Pensamos que somos invencíveis, intocáveis e imortais. Puro engano. É muito mais difícil viver do que morrer. E o mais curioso é que é sempre a vida a lembrar-nos que a morte está mesmo ali, à nossa espera. Desengane-se quem julga que não nos afecta quando não nos toca directamente. Afecta. É menos um, menos dois, menos... menos... Afecta. Seja alguém que conheçamos ou não, sabemos que alguém vai chorar, alguém vai perder, alguém vai enlutar, alguém... alguém... Afecta. Algures, uma casa fica mais triste, uma cama fica com um lado por desfazer e uma cadeira fica vazia. Aconteceu hoje. Afecta. E, sim, a cadeira está vazia.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
"MAISONCE FANTHÁSTIK"
Mais uma maravilhosa "promo" semanal ao MAISFUTEBOL no TVI24
Gosto de pensar que é por merecermos... mas é tão bom sentir a forma como nos mimam!...
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
"Vamos deixar-te sem o título"
Compreendo que Mourinho esteja irritado com isto. É mais que desafiador. A mensagem final em Português então é cirúrgica. Mas como amante do audiovisual e do desporto como espectáculo que se quer bem promovido gosto deste video.
Não vejo qualquer incentivo à violência mas sim os "mind-games" de que Mourinho tanto gosta (e que tantas vezes faz através dos media, embora de outra forma) e a motivação da equipa do Sevilha por um objectivo bem definido, personalizando num homem a imagem do "alvo a abater", como de resto Mourinho tanto gosta de se apresentar.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
domingo, 23 de janeiro de 2011
As vozes de burro que chegam ao céu...
Numa nota lançada no Facebook, um editor do jornal "A Bola" (ou ex-editor; confesso que não cheguei a entender) acusa a TVI (e o jornalista que fez a "flash interview" no final do jogo Benfica x Nacional da Madeira) de parcialidade em favor do Benfica e mesmo de subserviência em relação ao clube da Luz e ao seu Director de Comunicação. Para além de não ter qualquer razão nas acusações que faz, é ridículo que seja um editor da "A Bola" a atirar à TVI um "rótulo" que em 365 dias durante cada ano (366, se for ano bissexto) é - merecidamente (e, pelos vistos, orgulhosamente) - "propriedade" de um outro órgão de Comunicação Social. Por sinal, aquele em que é (/foi) editor.
Eu sou jornalista da TVI e tenho a consciência tranquila por não fazer favores a que clube seja. Nem ao Benfica, nem a nenhum outro. Coloco sempre no "ar" o registo video e audio das minhas entrevistas, por exemplo. Não aceito transmitir "entrevistas" que me cheguem por escrito, sabendo-se lá quem escreveu as linhas que depois o público receberá como informação. É só um exemplo. Muitos mais haveria. Enfim... consequências de viver encostado à árvore que mais sombra dá. Mas tudo bem. Atirar o próprio lixo para o chão e assobiar para o lado para depois apontar o dedo aos outros pelo mau cheiro que por ali tresanda é um modo de estar na vida como outro qualquer.
sábado, 22 de janeiro de 2011
A nova "promo" do Maisfutebol o TVI24
E pronto. Lá continuamos nós a ter as "promos" mais catitas da casa.
:-)
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
O Domínio (avassalador)
Bom... na verdade nem sequer é grande domínio, quanto mais avassalador. Mas é um domínio bom, parece-me. E é um domínio com boas intenções (que logo se saberão quais). Para já, é só um domínio pequeno (não chega a ser com "con-domínio", portanto) mas bem apresentado. E daqui a uns tempos será algo mais, decididamente com mais domínio, se bem que nunca verdadeiramente avassalador. Só utilizei a palavra para fazer um título melhorzinho mesmo.
:-)
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
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