
A casa sempre foi fria e os habitantes - um mais do que o outro mas, ainda assim, ambos - sempre foram friorentos, sofrendo, por exemplo, com o facto de as calhas das janelas e as caixas das persianas deixarem entrar parte do vento frio vindo da rua (coisa em que São Marcos é uma terra frutuosa). Precisamente por isso, antes de o "rebento" chegar, decidiu-se reforçar as janelas com vidro duplo e construir-se uma marquise na varanda, para evitar que a criança viesse a sofrer muito em breve os problemas de "pele-de-galinha" de que os pais, sinceramente, já se tinham fartado. Os melhoramentos foram feitos e a temperatura ambiente dentro de casa está agora infinitamente melhor. Mesmo quando a ventania é muita lá fora (em São Marcos isso representa um pouco mais de 80% dos 365 dias do ano), já não se sente o frio que se sentia há uns tempos. Ainda bem! Com a gravidez trabalhosa que a mãe vem tendo praticamente desde o início e a vida agitada que o pai vem tendo nos últimos tempos, o frio mesmo em tempo de verão era algo com que ninguém cá em casa queria ver-se obrigado a lidar, muito menos era para nós concebível sujeitar a bebé ao briol "do costume". Mas a grande vantagem a retirar da nova realidade - exclusivamente na óptica do pai - é mesmo poder ver como a mãe (desde sempre, a mais friorenta) está agora feliz por ter a oportunidade (e fazer gala) de exibir a barriguinha em todo o seu esplendor, sempre que possível, começando já a mostrar o mundo à nossa filha e vice-versa; isto, sem se constipar e sem constipar a criança também, o que dantes seria impossível. O pai, mesmo não o dizendo, também está feliz por, ao fim do dia, poder disfrutar desse momento em que nada mais interessa do que aquela barriga, desnuda, aos "pulos" sem compasso certo, que se torna no centro do mundo e na razão desse mundo parar, só por causa dessa coisa estranha que é o amor incondicional.









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