sábado, 15 de maio de 2010

Taça... é no Jamor! E não se fala mais nisso!



Sei que poderei ser acusado de ser sulista e elitista. Sei que não sou. E também sei que quem acusa os que defendem o mesmo que eu são bem mais elitistas e muito mais regionalistas do que aquilo que acusam os outros de serem.


Para mim, a final da Taça de Portugal joga-se no Jamor e não se fala mais nisso.


A razão é simples. O Jamor chama-se, na verdade, Estádio Nacional e isso deveria ser o suficiente para que não fosse posta em causa a realização do jogo da prova rainha do futebol português num local que é histórico, que é mítico, que é o palco ideal para um jogo especial para todo o país, quaisquer que sejam os clubes em confronto.


Eu sou um confesso amante da competição Taça de Portugal. Adoro o facto de poder não ser um dos “suspeitos do costume” a levar o caneco. Adoro a festa que o povo faz na mata do Jamor, antes e depois do jogo decisivo. Adoro que os clubes ditos mais pequenos tenham o sonho de um dia pisar a relva do Estádio Nacional. A Taça… é de Portugal. Não é um caneco qualquer.


Só o regionalismo bacoco (acima de tudo, nos últimos anos, vindo de um Norte que “precisa” sempre de ter um inimigo sulista, para angariar apoio popular) pode defender que a final mais histórica do nosso futebol se jogue num estádio diferente todos os anos.


A (eventual) banalização deste jogo é, a meu ver, inadmissível.


Até agora, um único argumento pareceu ser adequado para contestar de alguma forma a realização desta final no Jamor: a falta de condições de segurança. Concordo. O Jamor não é absolutamente seguro… para os adeptos que os clubes ditos “grandes” têm, para quem a Taça de Portugal é só mais uma competição, menor, mais “fraquinha” que o campeonato, uma espécie de “só interessa para salvar a época, caso o campeonato corra mal... ou - conquistado o título da Liga - para esfregar a dobradinha na cara dos rivais”. Para todos os outros (tipos de) adeptos, desses ou de todos os outros clubes, estar no Jamor é uma honra e são eles que fazem a festa.


Pergunto a quem defende que a final deve sair do Estádio Nacional (em vez de defender que haja, por exemplo, pequenas obras de melhoramentos - que reconheço serem necessárias - ou que haja então… mais civismo de todos os agentes desportivos para que não se perca o controlo do comportamento dos adeptos) se a Taça deve ser só mais um jogo, frio, sem festa, como um jogo da Liga? Ou, então, onde mais se pode fazer a festa popular, ligada a um jogo (que é, de facto, especial), com “comes-e-bebes”, com sombra, com espaço, com liberdade e, sim, também com a segurança que o facto de não estar toda a gente comprimida num pequeno recinto garante?


Se alguém me souber responder, aceito discutir este assunto, naturalmente.

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