domingo, 7 de junho de 2015

Da (in)quietude

[Escrevo isto às 0:03, acabadinho de me deitar.]

Há dias que terminamos com a consciência perfeitamente (in)tranquila com uma (agri-doce) sensação de que se fez tudo o que podia ter sido feito (mas que havia muito mais que podia - e devia - ter sido feito para que o dia tivesse sido MUITO melhor).

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Só Espanha nos tirou a final!...

... mas não é desse Euro, de que se lembrou, que eu estou a falar


[Artigo de opinião escrito para o site Maifutebol]




Quase ninguém deu por isso mas Portugal quase chegou à final do Campeonato da Europa e só Espanha evitou que isso acontecesse. É óbvio que sei perfeitamente que o leitor se lembrou do quanto vibrou com aquela meia-final em Donetsk que foi até à decisão por grandes penalidades e que acabou por ser favorável a Casillas, Iniesta, Fàbregas e companhia, deixando o país desiludido e Cristiano Ronaldo a olhar para o céu (e para as câmaras de tv) a clamar: “Injustiça!”. Não estou a falar desse jogo.

Esta quarta-feira, a Seleção Nacional Sub19 Feminina também esteve na meia-final do Europeu da categoria e sucumbiu apenas aos 87 minutos de jogo, quando a largamente favorita Espanha marcou o único golo do encontro, carimbando o passaporte para a final da competição em Antalya, na Turquia. Sei que não erro ao escrever que tenho a certeza de que quase ninguém deu por isso.

Portugal é um país «sui generis», de facto. Centenas de pessoas estiveram na Portela para receber a Seleção AA Masculina - que fez o que já tinha feito em 1984 e 2000, e pior do que em 2004 - carregada de «estrelas» (e de recursos), pouco interessadas sequer em dar um sorriso ou autógrafo ao povo. Exceção feita a Pepe e pouco mais.

Quanto do e isso eonatos da Europa,s) e medida. 4, entaNoruega. Veremos, nessa altura, se alguma coisa muda e a POrtela ouàs Sub19 – que até fizeram história, ao serem a primeira seleção feminina portuguesa a chegar a uma fase final internacional (e logo com uma presença na meia-final) – o reconhecimento público foi muito mais discreto. Apenas cerca de uma centena de pessoas, sobretudo familiares das atletas; foi essa a moldura humana que esteve no aeroporto. Para além de merecerem uma grande receção, as jogadoras bem queriam mostrar o orgulho com que representaram o país. Fizeram-no, claro. Mas de forma comedida. Enfim, coisas que acontecem... em Portugal. Culpa nossa (comunicação social, pelas opções editoriais) e vossa (público em geral, pela falta de interesse). Culpa de todos, no fundo.

O argumento de que tudo isto se deve ao facto de o Futebol Feminino (ainda para mais de Formação) não poder ser comparado ao Futebol Masculino está gasto, é falacioso e facilmente desmontável. Ao mesmo tempo que a seleção Sub19 feminina competia na Turquia, a seleção Sub19 masculina competia na Estónia e ficou-se pela fase de grupos, falhando o acesso à meia-final. Não se fala de alhos e bugalhos. Tudo é comparável. Aliás, por esse princípio, a verdade é que estas «miúdas» conseguiram na Turquia exatamente o mesmo resultado que os seniores trouxeram da Polónia e da Ucrânia.

Faço a minha parte e deixo aqui um pouco mais de informação acerca desta jovem equipa feminina da FPF. Apenas cinco jogadoras presentes neste Europeu deixam a categoria Sub19, por excesso de idade. Isso significa que quase todas as atletas que agora chegaram a uma meia-final têm 16, 17 e 18 anos de idade (uma delas... 15), podendo eventualmente fazer mais e melhor nos próximos Campeonatos da Europa, em 2013 (País de Gales) ou 2014 (Noruega). Veremos, nessa altura, se alguma coisa terá mudado e se alguém mais dará por isso.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Adrian



Adrian é uma simpática "fraca figura". Trabalha na Adicional e é ele quem nos faz as entregas das encomendas de Nespresso. Mas não só. Já me entregou encomendas que fiz à TMN e, neste caso, também veio cá a casa entregar uma outra encomenda de roupa feita pela minha mulher. Não nos encontrou em casa mais cedo, ligou. Ninguém atendeu, deixou aviso de contacto. Conhecendo-nos há já uns anos, achou por bem tentar de novo mais tarde, vindo de novo cá a casa. E, sim, encontrou-me por cá, pelo que acabou por me "passar um raspanete", por não lhe ter ligado para um dos números que tinha deixado no aviso. Não pelo facto de ter tido de fazer duas vezes as viagens até cá mas sim por ter "ficádu préócupádu com áusência de nôtíciaje vóssas", disse-me ele com o sotaque de origem, ucraniano. Pedi-lhe desculpa. Ele sorriu, disse "Dêje que estêijá tudu béim!...", deixou a encomenda e foi embora.

Assim vale a pena levar um raspanete!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Check Point!



Adoro chegar ao fim de alguma coisa. Mesmo que esteja só ainda no início de um projecto e que seja só o fim de uma etapa! Venha a próxima! Vai saber bem chegar ao fim dessa também!

terça-feira, 1 de maio de 2012

O dia de hoje em 530 caracteres



Foi o dia do Jogo dos Contrários. Se os outros estão fechados... a gente abre! Se há outros que abrem para estar cheios... então a gente garante que ficam vazios e vêm todos aos nossos! Se as pessoas estão cada vez mais mais pobres ao longos dos últimos meses... nós podemos ficar mais ricos num só dia! Se o dia é feriado (e é o Dia do Trabalhador)... nós garantimos aos nossos trabalhadores que não há feriado para ninguém! Se metade da população dirá que foi um desrespeito... a outra metade dirá que foi um golpe de mestre!...



segunda-feira, 23 de abril de 2012

Trinta-e-poucos... Trinta-e-tais...




Estou perfeitamente de bem com isto mas, à beira de passar dos 35 para os 36 anos, não deixa de ser uma sensação estranha de que é agora que se passa dos "trinta-e-poucos" para os "trinta-e-tais". E, com isto, de também passar de estar nos "trinta" para ir "a caminho dos 40".

:-)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Coisas da vida

Qual é a piada de passarmos pela vida das pessoas sem deixarmos nelas um pouquinho de nós, nem que seja só um bocadinho muito pequenino?

segunda-feira, 26 de março de 2012

Os coelhos

Avistei dois coelhitos no caminho para casa. Acontece de vez em quando.

E eu gosto de ver que há vida no pouco espaço onde não há caixas de cimento onde parecem que só moram "zombies", milhares de "zombies".

O que me preocupa em avistar estes coelhos tão perto da selva urbana dos "dormitórios" é saber que grande parte desses "zombies" não hesitariam em ceifar a vida a estes animais, vizinhos deles, mal os avistassem como eu, com o fim único de se sentirem eles próprios um pouco mais vivos.

E o que me preocupa ainda mais é que não tenho dúvidas disso.


Sent from my BlackBerry

sexta-feira, 23 de março de 2012

Number 1!...ber 1... ber 1... ber 1


#1 no Top dos eBooks gratuítos de Cartoon de Humor na Amazon!




Por um lado, serve este post (e este printscreen) para mais tarde recordar. Por outro, para convidar quem não fez o download gratuito que o faça RAPIDAMENTE porque depois volta a ser a pagar! Mesmo não tendo o Kindle (aparelho), a aplicação de leitura é gratuita na Kindle Store da Amazon e está disponível para Mac, PC, iPad, iPhone e outros gadgets.

É fazer download e deixar uma crítica (review) em Inglês, se possível com 5 estrelas. Não custa nada. Literalmente!

quarta-feira, 21 de março de 2012

À atenção do Sr. Mário Figueiredo

Os New Orleans Saints, campeões da NFL em 2010, estão agora mergulhados num escândalo imenso, de recompensas monetárias a jogadores seus que eliminassem fisicamente jogadores adversários (prática ilegal intitulada "bounty").

O treinador principal (que é uma verdadeira estrela da NFL, admirado em todo o mundo) e o adjunto foram suspensos pela Liga por um ano e por tempo indeterminado, respectivamente, e sem direito a qualquer tipo de remuneração salarial durante a suspensão.

Não se olhou a status quo. Simplesmente, cortou-se a direito e fez-se justiça quando ficou provada a infracção praticada.

Este é o comunicado do clube, que para além de pesadamente multado, fica com a "folha" mais do que manchada para o resta da sua História. Vale muito a pena ler com atenção.


Today, Commissioner Goodell apprised us of the severe penalties facing our club, as proposed by the NFL. We recognize our fans’ concerns and we regret the uncertainty this episode has created for them. We are humbled by the support our organization has received from our fans today in the wake of this announcement, and we ask them to continue to stand with us, as they have done in the past, when both our team and our city have overcome greater adversities.To our fans, the NFL and the rest of our league, we offer our sincere apology and take full responsibility for these serious violations. It has always been the goal of the New Orleans Saints to create a model franchise and to impact our league in a positive manner. There is no place for bounties in our league and we reiterate our pledge that this will never happen again.

[O original aqui: http://tinyurl.com/7acs3xe ]

Podia ter sido a atirar as culpas para outros ou a dizer mal da Liga. Não foi. Assumiu-se a culpa, aceitou-se o veredicto de quem investigou e de quem manda, tal como foram aceites a punição disciplinar e as multas, pediu-se desculpa à Liga e aos adeptos, a quem se pediu também que continuassem a apoiar a equipa. A partir daqui, a vida continua. 

E é por estas e por outras que quando Mário Figueiredo, presidente da Liga de Clubes, comparou (ou tentou comparar) as nossas ligas às americanas me ri da cara-de-pau dele e da bacoquice de quem não percebe nada de nada.


quinta-feira, 15 de março de 2012

Já nas bancas!... Perdão... na AMAZON!

Sou, a partir de AGORA, um (co-)autor INTERNACIONAL de palermice! O e-book para Kindle do Webcedario / Webcedario - The Talking Letters acaba de chegar à AMAZON!!!





É o 1º Volume em Inglês das letrinhas falantes, que emigraram em busca do sucesso ultramarino! É descarregar e "enjoyar"! Para ler no Kindle ou em qualquer suporte que receba a app Kindle.
Ah! E não se esqueçam de deixar um crítica (review) em Inglês, lá na Amazon!!!

(Sim... a malta lucra com isto. Ou, pelo menos, espera lucrar!)
;-)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O(s meus) Dia(s) da Rádio




Tenho pena de não encontrar a foto mais antiga de que me lembro, em que estava a fazer rádio. Deve estar em casa dos meus pais. Comecei aos 17 anos. Passei por seis rádios locais. Estive no nascimento de uma outra rádio (online) na faculdade. Tive muitos momentos maus, péssimos patrões, erros tremendos mas também muita coisa boa, que deu prazer de ouvir ir para o "ar". Fiz quase tudo. Programas de música, de informação, discos pedidos, rubricas várias, tardes desportivas, noticiários, reportagem... até publicidade. Existem mesmo (gravadas numa K7) brincadeiras engraçadíssimas que quase deram na criação (a sério) de uma personagem de um cantor "pimba", incarnado... por mim! Tudo com aquela magia. A da rádio. Não há nenhuma como essa. Como não há amor como o primeiro. Tenho saudades da rádio, do estúdio, do abanar do pé (tique horrível!) enquanto o microfone estivesse ligado, do conforto dos auscultadores, da luz "NO AR" a acender. Um dia hei-de voltar.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Chapadas de realidade


Há muito que aqui não vinha, por falta de tempo. Mas nem mesmo essa, a falta de tempo, justificaria não deitar cá para fora algo que (só de pensar nisso) dá vontade de manter cá dentro, custe o que custar. Mas não dá.


Uma pequena barra que passa de cinzenta a azul-vivo, um pequeno símbolo vermelho que se acende... uma mensagem espera por ser lida no Chat do Facebook. Esperamos sempre que seja algo de bom, vindo de um amigo... mas nem sempre é.


«Emprestas-me 100€ até 3ª feira?»

Não há como saber reagir a uma linha assim, de texto tão simples e de significado tão complexo. Ao dia 12  de um mês não se espera tal pedido, vindo do “nada”, venha de onde seja, venha de quem seja...


Os tempos são os que são. Sei disso. Sabemos disso. Mas a crise “bate a sério” é assim, com estas “chapadas de realidade”, que nos acertam de surpresa. E que doem.

Respondi «?», apenas com um ponto de interrogação. A resposta à minha resposta foi um seco «Esquece. Desculpa o pedido.»  O símbolo vermelho despareceu, a barra azul-vivo voltou a ficar cinzenta. A conversa terminou ali. Não havia mais mensagens para ler.

Não há, de facto, como saber reagir a algo assim. Nem sei mesmo ainda o que pensar deste pequeno-grande episódio, de nada e de tudo. Ou, melhor... Até já pensei bem, já depois do que se passou. E concluí que – apesar da resposta que dei ter sido má, reconheço – algo mais que dissesse não seria melhor. Em minha casa, os Euros são todos contados e todos têm destino exacto. Ajudaria dizer isso? Não. Justificaria alguma coisa? Sim, mas não ajudaria nada. Há 17 dias mais neste mês. Provavelmente os mesmos (se não mais...) até à chegada dos próximos Euros àquela conta, àquela família, que não pude ajudar. 

Espero o melhor, obviamente. Até 3ª feira. Até ao fim do mês. Até ao fim do ano.

E espero nunca vir a estar do outro lado de uma conversação assim. Na verdade, espero também nunca vir a estar deste lado, de novo, em situação semelhante. A frustração de não ter para dar a alguém tolhe-me. A mera ideia de não ter para dar à minha família devasta-me.


Raio de tempo, este...



segunda-feira, 28 de novembro de 2011


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Marco António, o #24 (honorário!) do GD Águas Santas



Ninguém (!) tem um equipamento completo e personalizado do Grupo Desportivo de Águas Santas,
da 2ª Divisão Distrital da AF Porto! NINGUÉM!

Ou, melhor... Perdão... TENHO EU!!!




Maravilha!


Um OBRIGADO do tamanho do mundo pela simpatia e pela lembrança ao presidente João Paulo Martins e à Joana Branco, pelo serviço de "Express Mail"!


:-)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Crónica
O “Zé” precisa de um segundo emprego

(publicada originalmente no site "The Speaker Corner")


Não há volta a dar. O “Zé” está metido em trabalhos. Ou, melhor dizendo, está em apuros, porque trabalhos já os há em pouco e não tarda haverá ainda em menos.


Muitas vezes, os políticos usam esta forma (de apresentar o todo da população com recurso ao nome de apenas um) para dar a ideia de uma suposta proximidade de um Povo, do qual não podem estar mais afastados. O “Zé”, que é o “Povinho”, é trazido à baila em muitos discursos políticos em tempo de campanha, por candidatos com papelinhos na mão ou telepontos frente aos palanques, a tentar fazer crer que estão a improvisar, minutos depois de supostamente terem “falado com um popular chamado Zé, na arruada”. Curiosamente, as arruadas são acções de campanha em que os políticos apertam mãos, distribuem abraços mas nem sequer ouvem o que as pessoas têm para lhes dizer. Aliás, os “jotinhas” – qual misto de seguranças privados e claque de futebol - certificam-se disso.

A verdade é que este “Zé”, “Povinho”, vê agora a crise bater-lhe forte e feio; como nunca, de resto. E vê os políticos, que dele – mas não com ele – tão bem falaram na tentativa (bem sucedida) de conseguir o seu voto, a serem os mesmos que determinam que vai passar a receber bem menos, a trabalhar bem mais e a pagar mais e mais impostos. E o “Zé” soube-o de um momento para o outro, mais ou menos sem aviso, que teria dado jeito. Se calhar até era isso que deveria ter estado escrito nos papelinhos e nos telepontos logo de início, antes das eleições... mas não era.

Ao “Zé”, “Povinho”, resta agora reagir, o melhor que souber e puder. A crise está aí e não se vai embora tão depressa, isso é certo. Por isso – e não estou a dar novidade nenhuma – o “Zé” precisa de se mexer. Sendo aquilo que já é; ou seja, sendo “Zé Povinho”, mostrando aquilo que lhe vai na alma, que não lhe vai no bolso e que lhe vai passando à frente, com espírito crítico e se possível com o bom senso para saber com alguma exactidão o que é fazer parte do problema e fazer parte da solução.



No entanto, isso não lhe bastará. O “Zé” precisa de um “segundo emprego”. No meio da convulsão a todos os níveis que o presente já mostra e que o futuro trará ainda mais ao de cima, o “Zé” tem para cumprir uma tarefa, mais importante até do que ser simplesmente ele mesmo. Tem de ter capacidade de manter-se firme e superar tudo isto, de dar a sua resposta positiva ao mal que lhe vier. E esse mal virá, que disso não haja dúvidas. No fundo, o “Zé Povinho” terá de ir buscar ao baú das recordações de infância o “Zé Sempre em Pé” e fazer exactamente o que ele fazia. Manter-se de cabeça levantada, por muita (e forte) pancada que leve, dê por onde der, com um plano bem pensado ou recorrendo ao lusitano desenrascanço. Se não o fizer, não se safa, de certeza.

domingo, 23 de outubro de 2011

"De acordo com uns dados... vamos fazer uma reportagem"



Li – algures... – que iria realizar-se uma reportagem sobre o suposto aumento no consumo de uma determinada gama de produtos. Li também – nesse mesmo “algures”... – que servindo de base para a realização dessa reportagem estavam dados... de um Centro Comercial.

Serei eu quem está do lado errado do Jornalismo actual? Por vezes, sinto que sim.




PS: Tenho ideia de que a reportagem será mesmo feita; naturalmente, com base nos dados fidedignos dessa entidade independente e certificada para a realização de estudos, que produzem dados, que por sua vez dão azo à realização de reportagens. Enfim...
 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

De Coimbra a Sindey, passando por Setúbal, Rhein, Figueira, Leiria, Toronto, Lisboa... e acabando no chão da minha sala


Ao início da noite, enquanto brincava com a minha filha no chão da sala, reparei que ela tinha exactamente o mesmo sorriso que tinha ontem à noite, na mesma situação, precisamente no mesmo sítio da casa. Para ela, nada mudou nas últimas 24 horas. Já a minha disposição é esta noite bem diferente da que era  ontem, quando brincava com a catraia; embora lhe mostrasse também eu o mesmo sorriso que tinha ontem à noite para lhe oferecer. A única diferença, hoje, é que o meu - embora sincero - requeria de mim algum esforço e o dela, como sempre, não.


Durante e após a apresentação das linhas mestras do OE2012 passaram-me mil coisas pela cabeça. Memórias, acima de tudo.

Lembrei-me de em 2004 estar a viver em Coimbra e de estar apaixonado por Portugal, com toda aquela cor e a alegria que se viveu no Euro de futebol. Isto apesar de estar a trabalhar em algo de que não gostava mas que a consciência me dizia ser bem melhor do que trabalhar na minha vocação só que numa empresa que me explorou durante três anos, sem qualquer tipo de escrúpulo. O tempo aí deu-me razão. A empresa fechou e quem lá ficou passou francamente mal.

Lembrei-me de em 2005, desvanecidas as cores do Euro2004, sem ligações sentimentais e ainda fechado num escritório como avençado do Estado a recibos verdes (com pressões políticas para ser "posto a andar" e com o IRS e o IVA a pagar a obrigar-me a pensar em ter um segundo emprego), pensar em sair de Portugal... para muito longe. Austrália ("Is it far enough...?!") parecia-me bem. Pesquisei e liguei para Sidney, à procura de oportunidades para um português na Oceania. E também voltei a ligar para o Canadá (tal como tinha feito em 2001, no fim do meu estágio e antes do início da vida profissional) a perguntar se alguém estaria interessado num jornalista lusófono por lá. Por que não...?

Lembrei-me de em 2006, já não com dois mas sim com três empregos (em Coimbra, Figueira da Foz e Leiria), ter recebido uma chamada para trabalhar naquilo que é a minha vocação, em Lisboa, "com o ordenado possível e sem promessas de ficar, depois de o contrato terminar", e abdicar de tudo o resto para acreditar em algo que era incerto mas...

Lembrei-me de em 2007, já com a situação contratual resolvida mas com um salário muito longe do que o público acha ser verdade e que me farto de ouvir na rua ("Vocês da televisão ganham todos muito bem!..." - tão longe...), me ter comprometido para o resto da vida e, com esse "Sim", ter optado (directa, conciente e inequivocamente) por deixar de tomar decisões sozinho e (indirectamente) por me fixar em Lisboa.

Lembrei-me então de que em 1980 os meus pais, emigrantes em Rhein (Alemanha) durante mais de 10 anos, decidiram acreditar que passada a convulsão do (pré e pós) 25 de Abril era boa altura para regressar a Portugal e garantir que eu e a minha irmã tivéssemos formação portuguesa. Mal sabiam eles que, passando Vilar Formoso, a coisa não seria boa. Nem em 80, nem em 81, nem em 82... e por aí além. (Aliás, ao regressar, eles passaram pelo que todos estamos também a passar agora. Pai... Mãe... Grande decisão a vossa!...)   

Lembrei-me, por fim, que em 2009 nasceu a Benedita - que, agora com dois anos e dois meses, é sem dúvida o amor maior da minha vida - e que essa graça nunca teria sido possível caso os meus pais tivessem ficado na Alemanha (como deviam, já que a formação germânica, hoje em dia, seria um trunfo imenso, tanto para mim como para a minha irmã), se eu tivesse ido para a Austrália ou para o Canadá ou até se no fim do meu primeiro contrato em Lisboa me visse obrigado a regressar a Coimbra.

A minha vida mudou. Foi mudando. Hoje voltou a mudar outra vez. Para pior. A vida da Benedita mudará também, por arrasto.

A minha tarefa (nossa; minha e da minha mulher) será exactamente a mesma que os meus pais tiveram há 30 anos. Evitar que ela sinta demasiado os efeitos da recessão, como eles tentaram evitar que eu sentisse.

Isso e tentar manter intacto aquele sorriso dela, que me faz acreditar que, apesar de tudo (no passado, no presente e no futuro), a minha vida hoje é melhor. E mais feliz. Por causa dela.




quinta-feira, 13 de outubro de 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Tão simples como oferecer flores.
E as palavras não murcham.


A amiga de que eu falava no texto anterior é a Marisa Rodrigues que, apesar de ser jornalista-'extraordinaire' (sim, dito assim mesmo, "à francesa" - "écse-trá-ór-di-nérre") de dois órgãos de Comunicação Social nacionais sediada na região do Algarve, mãe de uma catraia igualmente 'extraordinaire', esposa e uma verdadeira mulher de causas, consegue ainda ter a pachorra para se dar com pessoas que aproveitam pequenos comentários de Facebook para dissertarem sobre rolhas, alcaparras e moças roliças. Não vou citar nomes, obviamente.

Depois de lhe mostrar o texto que escrevi com base no comentário dela, disse-me que tinha ficado emocionada por ter-lhe "dedicado" um post no blog, porque nunca ninguém o tinha feito.

Acho isso um erro. Toda a pessoa merece que se escreva sobre ela, pelo menos uma vez na vida. Devia até fazer parte da Declaração Universal dos Direitos do Homem. 

Seja num texto longo (como o anterior) ou num curto (como este), dedicar palavras ou simplesmente falar de viva voz acerca de pessoas que nos são queridas não custa nada e acho que tem um valor inestimável. Pode falar-se muito de imensas formas subjectivas, subtis, grandiosas ou discretas de demonstrar carinho ou admiração por alguém mas, no fundo, palavras - ditas ou escritas - podem valer tanto como, por exemplo, (e já que estamos a falar de uma mulher) o gesto de entregar um ramo de flores.

Com a vantagem de que as palavras não murcham. Nunca.