
Conversas que tenho por messenger/chat, por telefone ou mesmo em presença com pessoas amigas não raramente acabam em inSenso's. Não sei bem porquê. Ou as minhas conversas são muito palermas ou o acaso encarrega-se de que eu tenha, periodicamente, conversas tão palermas que podem acabar em inSenso's. São duas coisas bem diferentes uma da outra, parecendo que não.
Aconteceu hoje, de novo. Ao telefone com uma amiga minha, a conversa (que até começou por abordar o upgrade profissional dela) degenerou para um estranho flashback em que nos recordámos de como as crianças podem ser cruéis umas com as outras e de como assim é hoje em dia como na altura em que também nós éramos petizes.
Os miúdos podem ser muito mauzinhos. E normalmente são. Sem hesitações de maior, largam pequenos-grandes insultos que podem tanto fazer pouca mossa (quando do outro lado há um pirralho com resposta na ponta da língua) ou traumatizar alguém para o resto da vida. Eu, em miúdo, estava num meio termo: atadote, quase nunca não tinha resposta pronta nem cabal, ficava arreliado com o que me diziam de mal mas depois a coisa passava, mais cedo ou mais tarde.
No entanto, há coisas que uma criança, vivaça ou nem por isso, não consegue evitar que lhe provoquem, no mínimo, um rubor indesejado, ou, no máximo, suores frios noites e noites a fio, durante anos e anos. Enfim... Coisas.
Desdentado! Coca-bichinhos! Quatro-Olhos! Florzinha! Coxo! Cegueta! Mariquinhas! Sardenta! Ranhoso! Lesma! Zarolho! Gordão! Porta-Chaves! Pitosga! Mariazinha! Anão! Vesga! Girafa! Caixa d'óculos! Matarruana! Bisgarolha! Fala-barato! Chato! Carraça! Burra! Elefante!... e tantos outros "mimos" fizeram parte da nossa própria infância, directa ou indirectamente. Mas acho que todos sobrevivemos a eles, pior ou melhor.
Já algo como "Tu cheiras mal!!..." é - sabemo-lo bem - o primeiro (e mais firme) passo para a exclusão social, iniciada nos tempos de escola e prolongada pela vida, tal é a quebra na auto-estima de alguém que ouve tal coisa em criança e/ou quando essa tal coisa se espalha de maneira que, muitos anos depois, ainda é essa a única referência que os outros têm do (ou da) "malcheiroso" (ou "malcheirosa"). Mais do que o eventual mau cheiro, é difícil disfarçar a má reputação daí decorrente, principalmente se essa for construída logo a partir da infância, por coleguinhas pouco simpáticos e perpetuada por gente já graúda mas igualmente mázinha.
Só há uma fama que, não sendo fruto directo da imaginação das outras crianças mas cuja origem se dá nos primeiros anos de escola, pode produzir efeitos semelhantes ao "Tu cheiras mal!!...".
Piolhoso! Piolhosa!
Ora aí estão, sem dúvida, dois miúdos traumatizados para a vida.








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