Ricardo Ornellas, treinador (chegou a ser seleccionador nacional) e cronista das décadas de 50 e 60 chamou-lhe "a equipa de todos nós".Ora... a equipa de todos os portugueses faz esta terça-feira o jogo 500 de um percurso que começou a 18 de Dezembro de 1921, num jogo contra a Espanha em Madrid.
desde então, a equipa das quinas, como também é conhecida, viveu precisamente como o futebol português, entre altos e baixos, sucessos e insucessos.
1966 é uma das páginas de ouro da selecção nacional. a vitória sobre o Brasil de Pelé... o frenético 5-3 contra a Coreia, a derrota com a Inglaterra que jogava em casa... o 3º lugar conquistado frente à poderosa união soviética. Nem Yashin impediu o pódio de Portugal. Foi uma campanha histórica que elevou Eusébio a melhor português de todos os tempos e fez de todos os jogadores verdadeiros heróis nacionais.
Depois o jejum, longo, de quase 20 anos, até ao Euro 84. Portugal só caiu aos pés da anfitriã, França, que tinha Platini. Portugal caiu... a muito custo... ainda deu espectáculo... Não foi suficiente. Portugal foi 3º.
Um ano mais tarde... “O” golo, o de Carlos Manuel, na Alemanha… fazia com que Portugal regressasse aos mundiais, no México 86. Começou tudo bem... acabou tudo mal. Saltillo é ainda hoje nome de terra desconhecido por todos... excepto mexicanos, claro, e portugueses.
Mais um jejum... de 10 anos, até que chegou a “Geração de Ouro”, que lançou Portugal para o europeu do ano seguinte, de regresso à Inglaterra. chegou a beijar-se a bandeira nacional mas um chapéu de Poborski deitou tudo a perder.
Em 2000, a selecção parecia imbatível, e foi... quase. “Esmagou” a Inglaterra, a Alemanha, passou pela Turquia... caiu outra vez, na meia-final, outra vez aos pés da França… e à mão de Abel Xavier.
2004... em casa... em Portugal... viveu-se um ambiente único em torno da selecção e do europeu que o país organizava. A equipa parecia ser mais de todos nós do que alguma vez tinha sido. Em campo, as coisas começaram exactamente como viriam a acabar. Pelo meio, lances mágicos, com os pés... com as mãos, com Portugal a vibrar. E depois a Grécia, a Grécia do 1º e do último dia... e o choro. Portugal foi vice. Tão perto e tão longe ficou Portugal de um título.
Veio o mundial de 2006, e os velhos conhecidos. Portugal voltou a vencer a Inglaterra e a Holanda, como se já de um hábito se tratasse... e outro “habitué” estragou a festa... Outra vez nas meias finais... Outra vez a França! Portugal ficou em 4º no mundial da Alemanha e partiu para o europeu da Suíça e da Áustria, onde depois de uma qualificação sofrida, até à última. Sem deslumbrar, a selecção cumpriu na 1ª fase, ficou nos quartos-de-final.
Agora com Queiroz ao leme, a “equipa das quinas” vai para o jogo #500, um número que por força dos Descobrimentos tem um peso inegável para Portugal. Descobrimentos que nos levaram ao Brasil, o tal país do futebol, de má memória recente e adversário na África do Sul. Antes disso ainda, no jogo meio-milhar... Moçambique, outro ponto de encontro com os Descobrimentos de há 500 anos. Agora, os novos “Navegadores” são outros. O Cabo das Tormentas há muito é Da Boa Esperança. E, não tarda, é precisamente por lá, pela Cidade do Cabo, que passa o início da caminhada para os mil jogos da Selecção Nacional, a equipa de todos nós.








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