terça-feira, 12 de abril de 2011

Cláudia, a Jornalista


Fiz, (in)directamente, parte da formação dela, antes de se lançar no mundo do trabalho na Comunicação Social. Optou por fazê-lo onde é mais difícil... ou mais fácil – depende da perspectiva. Se, por um lado, as ligações à terra e a menor competitividade podem facilitar a entrada num primeiro emprego, a informação local – sempre o disse e mantenho – é a vertente mais complicada do Jornalismo, devido à facilidade com que as pressões dos pequenos interesses e pequenos poderes são exercidas sobre quem quer informar com independência. Quando fiz informação local, um indivíduo que tinha sido casado com uma parente afastada minha pediu o meu número à minha mãe para me ligar e tentar passar um “recado” a um colega meu... enfim... Tal como me ligaram autarcas, empresários, agentes de autoridade, padres(!)... a tentar pressionar-me para não divulgar notícias que não lhes eram convenientes. A Cláudia, mesmo sabendo disso, arriscou, criou um projeto do “zero” e fê-lo crescer de forma saudável. Nos últimos tempos, várias movimentações internas e externas – mas, sobretudo, muito próximas (ainda para mais num meio pequeno) – colocaram-na numa posição ingrata, de muito possivelmente ter de continuar perdendo a liberdade de fazer Jornalismo com total independência. Ela pensou e  tomou a decisão mais difícil. Deixou o jornal que criara, vendeu a sua parte do título abaixo do seu valor real mas ficou infinitamente mais rica na hombridade que um jornalista (ou, melhor, um Jornalista – com letra maiúscula) deve ter e acreditar que tem. A Cláudia não é, de momento, jornalista. Mas é uma Jornalista.


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