
Ah e tal… Sporting – Benfica na final da Taça da Liga… Derby lisboeta em pleno Algarve… Que ganhe o melhor (ou então o menos mau) e, por mim, está tudo dito. Viu como se poupa tempo a (não) falar de mais um clássico?
A falta de tempo para fazer tudo é uma coisa que me aflige particularmente. O “alerta” para enviar esta crónica a tempo da impressão do jornal chegou por mail já com a semana a decorrer e veio lembrar-me que tenho tido tão pouco tempo (com o súbito acréscimo de trabalho e o início projecto que estou a começar precisamente agora) que perder tempo com mais um SCP–SLB seria parvoíce.
Isto porque há coisas mais urgentes em que pensar.
Não sei se é permitido usar a palavra gajo numa crónica de um jornal que se quer sério e respeitado. Como quero usá-la apenas em mim próprio, permito-me utilizá-la livremente. Cá vai...
Eu sou um gajo daqueles que gostam de que aquilo que fazem tenha uma continuidade no tempo, que deixe uma marca na sociedade. Se todos pensássemos assim, tudo o que fosse feito teria verdadeiro significado. Parece-me um bom princípio e é por esse motivo que hoje abordo o tema que se segue.
Há uns dias estive no Algarve em serviço, no Mundialito de Futebol Feminino, competição mais conhecida lá fora do que cá em Portugal (como é habitual) e em que a selecção portuguesa se portou lindamente. Sinceramente, espero que tenha seguido pela TV, porque valeu a pena.
Mas o futebol feminino em Portugal – tal como eu – tem um problema de tempo… a menos.
Num país tão apaixonado pelo seu (geralmente, apenas sofrível) futebol, as mulheres que sabem e gostam de jogar à bola (e há-as com bastante qualidade pelo país fora) não têm o reconhecimento oficial de que precisam para praticar. É pena. Houvesse essa possibilidade (com os clubes a abrirem a porta ao futebol feminino e não só ao masculino) e estou em crer que a realidade seria já hoje bem diferente da actual. O “1º de Dezembro” de Sintra é campeão feminino há 9 anos consecutivos. Não tem culpa de o ser e de isso tirar interesse à competição; a concorrência é que é pouca. Benfica, Sporting e Porto podiam ajudar, fazendo por uma vez bom uso do estatuto de grandes, criando as suas próprias equipas e chamando raparigas à modalidade, coisa que ainda não fizeram. Aliás, grandes e pequenos podiam começar já a agir nesse sentido e não só a pensar nisso. Porque tempo… falta mesmo. E enquanto pouco ou nada mudar, Portugal vai perdendo tempo e terreno para os países onde o futebol “delas” já é um caso sério de competição e o “fosso” cavado para quem se atrasar pode ser muito complicado de superar.
cantodirecto@gmail.com* Crónica publicada simultaneamente, a 20 de Março de 2009, no jornal





















