sexta-feira, 20 de março de 2009

A nossa "Mister"

o que é isto?
90 minutos (mais uns pózinhos) com a nossa seleccionadora em mira e sob escuta. O jogo: Portugal - Finlândia, de atribuição dos 7º e 8º lugares do Mundialito de Futebol Feminino no Algarve. O resultado final da partida foi 1-1 (4-2 a favor da Finlândia, nas grandes penalidades). O resultado final televisivo foi este:


Tempo que não há *

o que é isto?
Ah e tal… Sporting – Benfica na final da Taça da Liga… Derby lisboeta em pleno Algarve… Que ganhe o melhor (ou então o menos mau) e, por mim, está tudo dito. Viu como se poupa tempo a (não) falar de mais um clássico?

A falta de tempo para fazer tudo é uma coisa que me aflige particularmente. O “alerta” para enviar esta crónica a tempo da impressão do jornal chegou por mail já com a semana a decorrer e veio lembrar-me que tenho tido tão pouco tempo (com o súbito acréscimo de trabalho e o início projecto que estou a começar precisamente agora) que perder tempo com mais um SCP–SLB seria parvoíce.

Isto porque há coisas mais urgentes em que pensar.

Não sei se é permitido usar a palavra gajo numa crónica de um jornal que se quer sério e respeitado. Como quero usá-la apenas em mim próprio, permito-me utilizá-la livremente. Cá vai...

Eu sou um gajo daqueles que gostam de que aquilo que fazem tenha uma continuidade no tempo, que deixe uma marca na sociedade. Se todos pensássemos assim, tudo o que fosse feito teria verdadeiro significado. Parece-me um bom princípio e é por esse motivo que hoje abordo o tema que se segue.

Há uns dias estive no Algarve em serviço, no Mundialito de Futebol Feminino, competição mais conhecida lá fora do que cá em Portugal (como é habitual) e em que a selecção portuguesa se portou lindamente. Sinceramente, espero que tenha seguido pela TV, porque valeu a pena.

Mas o futebol feminino em Portugal – tal como eu – tem um problema de tempo… a menos.

Num país tão apaixonado pelo seu (geralmente, apenas sofrível) futebol, as mulheres que sabem e gostam de jogar à bola (e há-as com bastante qualidade pelo país fora) não têm o reconhecimento oficial de que precisam para praticar. É pena. Houvesse essa possibilidade (com os clubes a abrirem a porta ao futebol feminino e não só ao masculino) e estou em crer que a realidade seria já hoje bem diferente da actual. O “1º de Dezembro” de Sintra é campeão feminino há 9 anos consecutivos. Não tem culpa de o ser e de isso tirar interesse à competição; a concorrência é que é pouca. Benfica, Sporting e Porto podiam ajudar, fazendo por uma vez bom uso do estatuto de grandes, criando as suas próprias equipas e chamando raparigas à modalidade, coisa que ainda não fizeram. Aliás, grandes e pequenos podiam começar já a agir nesse sentido e não só a pensar nisso. Porque tempo… falta mesmo. E enquanto pouco ou nada mudar, Portugal vai perdendo tempo e terreno para os países onde o futebol “delas” já é um caso sério de competição e o “fosso” cavado para quem se atrasar pode ser muito complicado de superar.

cantodirecto@gmail.com


= = = = = = = = = = = = = = = = = =

* Crónica publicada simultaneamente, a 20 de Março de 2009, no jornal

No râguebi corre-se muito, não é?

o que é isto?
Não foi notícia (ainda) mas será. O evento está marcado para o próximo domingo, às 16h. Pelos vistos, há um clube de râguebi recém-criado em Guimarães (Guimarães Rugby Union Football Clube) e que vai iniciar a competição. Onde? No relvado que lhes foi disponibilizado, que está localizado na mesma estrutura em que foi criada há uns tempos a Pista de Atletismo Gémeos Castro. Não se trata de um estádio mas tem uma pista (que dá nome ao complexo desportivo) e um relvado que, não sendo utilizado para o futebol, é agora disponibilizada para a prática do râguebi. Nada mais simples. Mas a questão com isto tudo é que o nome do complexo desportivo não ajuda quem tem de enviar às redacções uma nota de imprensa publicitando o inaugural jogo de râguebi em Guimarães. E, por isso, o que chega aos jornalistas é um press-release com o seguinte título:


Pista de Atletismo Gémeos Castro palco do primeiro jogo oficial de Râguebi em Guimarães


Desconfio que pode estar criada a confusão na cidade-berço e no râguebi em geral. Porque, segundo sei, desde a sua criação no século XIX, nunca houve râguebi jogado em tartan. E esta nota de imprensa pode deixar confusos os dirigentes desse desporto, tão ligado à pureza original das sua tradições.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Dia do Pai - Ano 0 (Zero)

o que é isto?

ENORME pormenor de classe do meu pai, esta manhã, no Dia do Pai.


Até hoje, sempre fui eu - naturalmente - a ligar-lhe para lhe desejar um feliz Dia do Pai. Esta manhã, o meu telefone toca - é o meu pai, do outro "lado"- eu atendo e é ele quem diz "Feliz Dia do Pai!". Pergunto-lhe se o cumprimento não deveria ter sido feito em "sentido contrário" (de mim para ele). Responde-me que «não forçosamente» e com uma frase que soube de imediato que nunca irei esquecer:


«Agora que também vais ser pai, podemos ligar um ao outro, não?»


Feliz Dia do Pai!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Golpe de Estado em MADAGÁSCAR

o que é isto?
Nos últimos dias, Madagáscar tem estado em verdadeiro tumulto. A queda do presidente Marc Ravalomanana, a auto-proclamação de Andry Rajoelina como líder do país, a ocupação das ruas pelos militares e a geral agitação do povo resultaram em desacatos na capital, Antananarivo , com tiros e explosões a serem ouvidos, principalmente no centro da cidade. Tiros, explosões e, estranhamente, os incessantes acordes de uma canção:


Ninguém me tira da cabeça que os tiros nada têm a ver com a situação política lá do burgo e são só para tentar apanhar este lémur...


domingo, 15 de março de 2009

"Alentejo, quando a tarde termina..."

o que é isto?



Ferreira do Alentejo, 13 de Setembro de 2008

sábado, 14 de março de 2009

O Bola na Barra - II

o que é isto?
Mais uma vez, com uma semana de atraso. Este é o segundo Bola na Barra, com o histórico Oriental. Foi o segundo a ter ido para o ar mas o terceiro também já foi. Neste video, destaco o "cavelo magnífico" de Sérgio Mendonça, o início daquilo que pode ser uma carreira promissora o mundo do espectáculo de Semiano e Carlos Manuel não ter rematado.



Uma pena, sobretudo vindo a "nega" de quem demontrou, em tempos, fazer coisas fantásticas, precisamente em remates de longe...



quarta-feira, 11 de março de 2009

Pura Baba

o que é isto?

Sim, sou casado. E quê... ?!? Baba. Pura. E toda ela (a baba) bem empregue quando se perde 4 míseros minutinhos para ver um video como este.

O que é que são 4 minutos perdidos, se for a contemplar... monumentos. Pelo menos, o Ministério da cultura concordaria comigo, estou em crer. E a minha mulher também gosta que eu seja um gajo culto.

terça-feira, 10 de março de 2009

Quando a BOLA é DELAS

o que é isto?
Nos últimos dias, tenho estado a trabalhar no Mundialito de Futebol Feminino, que termina amanhã, no Algarve.

Tem sido, para mim, uma experiência enriquecedora a vários níveis. Por um lado, iniciei-me na função de narrador de jogos de futebol (com todas a gaffes - creio que mais embaraçosas do que demasiado graves - que a inexperiência em algo que nunca se fez não consegue evitar) e sinto que tenho melhorado o trabalho. Por outro, a proximidade com a variante feminina do futebol abriu-me definitivamente os olhos para algo que eu já tinha observado de forma breve, há algum tempo, e entendo agora muito mais do que entendia sobre a realidade do futebol feminino em Portugal*, o que me leva mesmo a ter um punhado de ideias que - em havendo vontade de quem "manda" - podem ser utilizadas no fomento da modalidade. E, sinceramente, num país com tanto futebol (mas infelizmente também tão fraquinho de uma forma geral) é desejável que uma lufada de ar fresco apareça, por exemplo, por parte das mulheres (e, se possível, não incorrendo nos erros do futebol masculino português).

É aí que, num primeiro olhar, tenho percebido que esse fomento pode correr mal. Em primeiro lugar, porque ninguém aposta no desporto jovem de forma séria, quanto mais no futebol feminino; «o futebol é para homens» é ainda uma frase que se houve em barda, ... em 2009. Em segundo, para me documentar, tenho obviamente feito a pesquisa possível sobre o universo do futebol feminino português e, ao que me é dado a perceber, o nível competitivo das provas internas é, naturalmente, ainda sofrível (mas tem margem de progressão - havendo mais praticantes) e não há muita informação sobre o que realmente se passa na competição nacional: a dada pela FPF é manifestamente escassa e a que há é dada pelos clubes ou por elementos afectos de alguma forma aos clubes, o que gera muitas vezes a confusão entre a informação (por vezes, rica e precisa) e a clubite (com discussões tão "peludas" e lamentáveis quanto aquelas a que assisto entre adeptos do futebol masculino). Percebo que assim seja, já que os sites (blogues) que abordam o tema não são oficiais e não carecem de um "código deontológico" mas tenho pena, já que isso significa cair no que de mau o futebol já tem por cá.

Nesses sites, que acompanho tentando encontrar informação que me seja útil (e é, desde que filtre bem o que é informação e deixe de lado o que é clubite), tem surgido uma crítica recorrente ao trabalho desenvolvido pela comunicação social em relação ao futebol feminino e, mais precisamente, a este mundialito.

Pelo trabalho feito pela restante comunicação social não queria pronunciar-me muito mas posso adiantar que, se parte aquilo que pesquiso for também (e será, de certeza) parte daquilo que os outros jornalistas pesquisam para os ajudar a iniciar o seu trabalho sobre o futebol feminino em Portugal, talvez fosse bom haver maior preocupação sobre a informação, precisa e pertinente. Ninguém é obrigado a fazer "serviço público" mas não seria mau se quem tem informação a desse sem mais "palha" desnecessária - é só uma sugestão. Quanto ao trabalho feito por nós, TVI e TVI24, a crítica é feita mais pelo ângulo da alegada menor visibilidade do mundialito no estreante canal de cabo (ainda para mais, só disponível na ZON) do que em anos passados, na RTP2. Em primeiro lugar, os números preliminares mostram-nos que talvez não seja bem assim e também acredito que a exposição que a TVI (generalista) tem dado à Selecção por estes dias ajudou em muito, por exemplo, à calorosa recepção que a equipa teve no Fórum Algarve no domingo, com centenas a querer falar com as jogadoras ou delas ter um autógrafo. Sim, os jogos estão no cabo e não em canal aberto. Mas também no cabo passou uma reportagem minha sobre o 1º de Dezembro, em jeito de "aperitivo" para o Mundialito. Quando foi a última vez que em canal aberto surgiu uma reportagem sobre futebol feminino?... E quando é que a Selecção foi tão falada e admirada?...

* - Muito Obrigado ao Prof. Pedro Moreira que, sendo ainda mais estreante do que eu nesta coisa dos comentários de bola, trouxe um belíssimo capital de conhecimento de causa ao nosso trabalho no Mundialito.

= = = = = =

PS: Gosto de ver jogar a nossa selecção de futebol feminino. Há jogadoras com real valor e uma entrega em campo impressionante; só é pena a diferença de poderio físico que ainda faz com que equipas mais musculadas (na Alemanha, por exemplo, o porte atlético das jogadoras é algo dificilmente adjectivável) tenham supremacia. De resto, os quilómetros corridos pela Carla Couto, a técnica da Sofia Vieira, a regularidade de Kim Brandão, Síliva Rebelo, Lissette Brandão e Sónia Matias e o instinto e combatividade de Edite Fernandes fazem da equipa nacional uma formação que dá gosto ver jogar. E do que vi nestes dias (e também durante a reportagem do 1º de Dezembro), vejo pelo menos duas potenciais craques em crescimento, que agora chegam às "AA": Dolores Silva e Ana Borges (esta última, para mim, já é mesmo craque - que avançada!).

domingo, 8 de março de 2009

Pedir não custa e perguntar não ofende...

o que é isto?


Pergunta (ao micróbio, ao vírus, ou ao sei-lá-o-quê que me mantém doente há já um mês):


POR QUE RAIO NÃO ME DEIXAS EM PAZ?!?!?




Pedido (ao mesmo micróbio, vírus, ou sei-lá-o-quê...):


VÊ LÁ SE TE VAIS METER COM ALGUÉM QUE NÃO ESTEJA CANSADO DE ESTAR DOENTE E, AINDA PARA MAIS, NÃO PODE ESTAR MESMO DOENTE POR ESTES DIAS...
OU ENTÃO...
VÊ LÁ SE TE METES COM ALGUÉM DO TEU TAMANHO, PÁ!!!!

sábado, 7 de março de 2009

O "Bola na Barra"

o que é isto?

Este é o primeiro de todos. Entretanto, já passou o segundo, do Oriental. Logo que possa, faço o upload desse também. Para já aqui fica o da estreia.

Se, por acaso, conhecerem alguém que queira inscrever um clube no desafio, dêem o endereço nabarra@iol.pt . É por lá que estamos a aceitar inscrições de equipas corajosas.

:-)


PS: "Bola na Barra", no programa MaisFutebol, do TVI24, às sextas-feiras, 22h.

quinta-feira, 5 de março de 2009

What a THRILL(er)!!!

o que é isto?
Foram dois dias em tudo se misturou: o bom com o mau, o simplesmente espectacular com o susto e o receio, o bizarro com o... muito bizarro mas profundamente divertido. Pelo meio, uma ou outra risada, exteriorizada ou contida (mas sentida com muito gozo), foram a "cola" que juntou todos estes momentos. E depois veio o Michael Jackson!... mas já lá vamos.

A missão era viajar até ao Algarve, fazer a minha estreia numa tarefa profissional de responsabilidade e voltar. Tudo em cerca de 24 horas. Parecia simples? Não foi.


Com tudo pronto para rumar ao Algarve (já com as chaves e documentos do carro da empresa na mão), recebo a notícia de que o bebé está com um problema que tem de ser resolvido de imediato com uma baixa de repouso absoluto da minha mulher. Nada de grave, precisamente porque a baixa entra em vigor de imediato mesmo. Ainda assim, não há (futuro) pai que não deseje mandar a viagem de trabalho à fava naquele curto segundo em que sabe disso, antes de voltar a pnsar racionalmente.


Depois, sim, a viagem "a solo", longa, para quem pouco dormiu. E, chegado ao destino (Albufeira), mais uma reunião de trabalho, de preparação para uma estreia (tanto quanto possível) sem sobressaltos. Reunião agradável mas longa... para quem pouco dormiu. Salvou-se a excelente conversa (quem disse que "talk business" tem de ser enfadonho?). Chegado ao hotel... mais trabalho. Mas um gajo não dorme?!...

Manhã. Telefonemas. Decisões. Uma piadola dita ao pequeno-almoço, para descontrair. Chuva... para desanimar (o Algarve com chuva é uma daquelas coisas que um tipo nem sequer concebe). 5 minutos de sol, para dar esperança e, logo a seguir, chuva outra vez. Que caraças! Mais uma piadola, vinda de um colega, engraçada mas desnecessária no sentido de que tinha sido dita só para me descontrair e eu estava perfeitamente descontraído. Salvou-se o facto da piada ter, de facto, piada.


Problemas para resolver. Uma data deles. Resolvidos, à última hora, mas bem. Pelo meio, a chance de gozar à grande com quem se arma em muito esperto e comigo próprio (de vez em quando, também me armo muito em esperto) por causa das minhas "brancas" momentâneas.

Hora da estreia. Nervos? Nada! Surpreendentemente, nem sinal de tremideira... excepto por causa do frrrrrio. A merda do "calorzinho estranho" do Algarve por estes dias é tramada! «Estamos no "ar"!... Fala!...». Nunca me soube tão bem ouvir isso. No dia em que passei daqui...





... (onde adoro estar, por causa da proximidade da bola e do cheiro à relva) para aqui...


... aquelas palavras foram música para os meus ouvidos. No fim, «Saimos do "ar"!», a descompressão, as mensagens, o exame de consciência para tentar perceber se tinha posto a "pata na argola" (uma vez, pelo menos, pus - por mera palermice) mas, acima de tudo, o dever cumprido, que é o mais importante.

Por fim, a viagem de regresso, de novo "a solo", longa, para quem dormiu pouco. Mas feita bem, apesar do muito mau tempo (lembro-me de ter pensado: «Está cá um "Algarve" no país todo que vai lá, vai!...») e já perto de Lisboa (com quase 600km feitos em 24 horas)... o rádio começa a tocar o "Thriller", do Michael Jackson. Ao fim de dois dias em que tudo se misturou... esta música "hit the spot, just the right way". Volume no máximo. Cabeça e ombros a "dançar" como o (ainda negro, na altura) Jack'o, no videoclip dos zombies. Fantásticos minutos de loucura no carro (deu jeito viajar sozinho, naquele momento). A música termina, mesmo à entrada da ponte. Desligo o rádio. Ainda faltam alguns quilómetros (poucos) até Queluz de Baixo mas decido ir em silêncio até lá. Aquela tinha a sido a canção perfeita para aquele instante, para aquele contexto. A minha aventura tinha de terminar assim. E assim terminou, com a gargalhada final, maquiavélica, a ecoar-me na cabeça até casa. Um gozo tão grande quanto o de sentir, ao fim de tantos anos, prazer por fazer algo de totalmente novo, sem "rede", sem experiência... e sem medo.

What a Thrill!...

«Estamos no "ar"!... Fala!...»

Daqui para a frente, não sei como será (e é assim que deve ser). Mas, deste, nunca mais vou esquecer quanto me soube bem.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Coisas de Um Futuro Pai

o que é isto?

Por muito que tente evitar admitir, é um facto que a minha mulher está muuuuito mais predisposta - já, neste momento (aos quatro meses de gravidez) - do que eu para a nossa futura condição de pais. Deve ser aquilo que andar mais com a criança para todo o lado do que eu. A verdade é que noto nela muito mais ansiedade e excitação do que em mim (chego mesmo a pensar que é uma cena algo masoquista... mas isso lá será problema dela) pelo momento em que terá as dores todas ela e não eu.

O exemplo disso está na insistência dela (que é bem mais organizada que eu - ainda bem!) em ir visitar já algumas creches e infantários... e nas compras. Com os folhetos dos hipermercados a chegar a casa, as atenções (recordo, mais da parte dele do que da minha) viram-se para o preço das fraldas, dos "ovos", dos carrinhos de bebé, das cadeiras para o automóvel, dos primeiros brinquedos... e dos babygrows, inevitavelmente.

De vez em quando, recebo telefonemas ou mms's com, digamos, a informação de que já foram adquiridos uns quantos babygrows, com "x" desenhos e "y" características. Eu confesso que não estou ainda "formatado" para essa realidade mas... pronto... lá lhe vou fazendo a vontade, na esperança de que também eu comece a estar mais predisposto a ser um futuro-recém-pai cheio de genica, mesmo que ainda falte mais de metade do tempo até que a criança apareça a chorar a plenos pulmões.

Hoje - dia de folga - fomos a um infantário e às compras. Começámos oficialmente a busca por um "ovo" e por um carrinho de bebé; mesmo que não tenhamos adquirido nenhum, já começamos a ter a noção dos preços. Para casa trouxémos - e isso, com tempo até Agosto, fez-me uma certa confusão - ...

... um kit de Recém Nascido, com fraldas e afins (o gato não vinha incluído, é o que já tínhamos cá em casa), ...

... um babygrow com pinta(s) (três ervilhas "pacíficas", mais especificamente), ...



... e um peixe de arrumação de pequenos objectos do bebé (sim... este foi mesmo escolhido por mim).

Talvez isto me ajude a "recuperar terreno" em relação à grande expectativa que a minha mulher já vive, por antecipação. Talvez não. Logo se verá. Talvez até o facto de se saber, em breve, o sexo do bebé, ajude imensamente. Mas que a malta (já) está a tentar, está.


= = = = = =

PS: Já agora, que se falou de hipermercados e de produtos para crianças, deixo aqui o meu sincero louvor a quem decide onde colocar os produtos nas diversas prateleiras e corredores dos brinquedos e que acha que, junto dos bonecos mais "simpáticos" como o Noddy, o Pooh (e os seus amigos) e até cãezinhos mais ou menos inofensivos (não sei... tendo sempre a desconfiar de cães vestidos de cor-de-rosa e com chapéus semelhantes aos da realeza britânica) é razoável colocar um boneco rufia de dentes afiados, cara de mau, músculos tensos (quem sabe, até com péssimos hábitos higiénicos - tem aspecto disso) e pulsos cerrados prontinhos para aviar com umas "sardas" os tenrinhos todos que, ali à beira, esperam ansiosamente pelo momento em que uma alma caridosa os tire daquele filme de terror.


Não deixo de estar solidário com os pobres bonecos (os tenrinhos)... e com os pais que, perante tal disparidade entre Bem e Mal, lado a lado, numa prateleira de hipermecado, correm o risco de, sem que possam fazer algo contra isso, podem ter num momento os filhos a quererem fazer festinhas aos bonecos todos e no momento seguinte a berrar ou chorar desalmadamente e, de certezinha, a fazer xixi ali mesmo, ao deparar-se com um mauzão "a espumar" pela boca com que quer morder em tudo e todos, ao "virar da esquina". Se nem eu (se fosse do mesmo tamanho) gostaria de me cruzar com aquele tipo num beco escuro, quanto mais...!

domingo, 1 de março de 2009

O slogan

o que é isto?
Vi isto na redacção, mesmo antes de sair, já de madrugada, junto a um dos computadores.



Confesso que não faço ideia a que é que o papel se referia. Provavelmente, era só um recado de um colega meu (não consegui saber quem) de outra editoria para outro, que entrasse ao serviço de manhã, para que este último soubesse que tudo o que tinha ficado pendente estava terminado.

Mas não consegui evitar que a imagem me sugerisse outra coisa, mais interessante. O slogan oficial do novo canal é "O Mundo Em Tempo Real". Mas isso não impede que haja outros slogans, mesmo que não oficiais, pois não?

Este "Está Cá Tudo" parece-me, sinceramente, muito bom. Numa era de informação global, acredito que poucos slogans façam mais juz à intenção de informar o espectador de TUDO o que se passa no mundo.

Só não sei se o meu colega (presumo que inadvertido autor de um slogan tão interessante) estaria a pensar nisso quando escrevinhou aquelas palavras numa folha de rascunho e a deixou em cima do teclado do computador.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Período de Candidaturas*

o que é isto?
Talvez seja aquela coisa de este ano haver três actos eleitorais. Talvez. Na verdade, não sei se será bem por isso. Mas também não é assim tão importante e o que interessa é que factos são factos. Por esta altura, caro leitor, toda a gente parece ser candidata a qualquer coisa.

De política recuso falar. Não é o meu forte e há quem o faça melhor que eu. Mas a “febre eleitoral” em que nos preparamos a entrar aparenta estar a “contaminar” o futebol português que, quiçá por arrasto, começa a arranjar à pressa os seus candidatos, pseudo-candidatos e candidatos a candidatos.

Vejamos. Ao não perder com o Benfica e, depois, alargar para quatro pontos a liderança da Liga (mesmo que amanhã jogue com o Sporting), o FCPorto apresentou mais do que em alguma altura da época a candidatura ao título. Curioso: o Benfica fez o mesmo no Dragão, ao fazer frente aos azuis e brancos daquela forma e o Sporting agora também parece ser candidato, ao derrotar e igualar os encarnados na tabela, tendo agora pela frente o Porto de quem se pode aproximar dramaticamente em caso de vitória (reforçando também a candidatura do Benfica… ou até do Leixões, dependendo do resultado desse jogo na Luz). E, num campeonato que ninguém parece querer conquistar, de repente candidatos não faltam, já reparou?

Que não haja ilusões. O campeonato continua fraquinho. Só a emoção de ver os grandes mais próximos é que despoleta esta enxurrada de pseudo-candidaturas às faixas de campeão. Nada mais. Na verdade, e também numa triste lógica nacional, o maior candidato a alguma coisa neste momento é mesmo Cajuda, excelente treinador que, por inoperância de um punhado de jogadores no plantel do V.Guimarães, se candidata a passar de adorado a odiado na “cidade-berço”, ou até a um estatuto diferente do actual, dependendo do que os adeptos – tão influentes, ali – queiram destinar ao técnico.

Por fim – e fugindo ao tema – algo que não faço habitualmente: puxar a brasa à minha sardinha. Às vezes até faço isso, mas raramente vou a sardinhadas, na verdade.

Abriu ontem o TVI24 e há quem diga que somos já candidatos a ganhar audiências aos outros canais de notícias. Não estou a fazer publicidade, porque o meu estatuto de jornalista não o permite mas, para já, gostava só de informar que neste canal o desporto vai estar muito em foco, com blocos diários e programas desde sexta a segunda, em que queremos inovar e dar uma visão mais alargada, descontraída e, ao mesmo tempo, mais ponderada do desporto. Espero que goste, mesmo que lá, por vezes, uma bola na barra (programa "MaisFutebol", sexta à noite, 22h), seja mais festejada do que um golo.


cantodirecto@gmail.com

= = = = = = = = = = = = = = = = = =

* Crónica publicada simultaneamente, a 27 de Fevereiro de 2009, no jornal

TVI24

o que é isto?
... o nascimento do canal de notícias TVI24. Para mim, pessoalmente, foi uma notícia pela qual esperei desde o início da ideia, dias depois do fim do meu estágio no agora "canal-mãe". Todos os esforços exigidos à estação (alguns mesmo difíceis de entender, mas o mundo politico-economico-estratego-empresarial tem desígnios assim) fizeram com que só agora o "24" fosse uma realidade quando já há muito (na minha perspectiva pessoal) quem fazia a informação da TVI estava preparada para o passo em frente. Aconteceu, finalmente. Não tenho de ser optimista, nem pessimista. Espero que corra bem. A mim e a todos o que fazemos agora dois canais TVI.



O meu primeiro grande desafio - diferente de tudo o que fiz até hoje - começa dia 4 de Março.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Será só impressão minha...?

o que é isto?


... ou a malta da TelePizza está a ficar um bocado fora de controlo?...


Custa-me tanto ver duas instituições nacionais (a farinheira e a francesinha) serem tão maltratdas desta forma. É isso e levar 5 em Alvalade do Bayern. A "instituição" Sporting, de vez em quando, põe-se a jeito cá de uma maneira...!

Um dia ainda abro uma padaria!...

o que é isto?

Se alguém se questionou se fui em quem fez este pão... Sim! Fui eu quem fez este pão. E fotografei-o para mostrar ao mundo. Se alguém se está a questionar se é parvo tirar fotografias a pão? Sim, é. Mas cada um tem a paranóia que tem. Certo?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

My Place

o que é isto?

Num dos meus filmes favoritos, "Shawshank Redemption", o prisioneiro Red fala com admiração do seu amigo, Andy Dufresne, que ao fim de 20 anos de uma pena de prisão perpétua, conseguiu escapar de Shawshank, escavando um túnel para a liberdade. A frase com que, após a fuga mirabolante, Red lembrou Andy junto dos outros prisioneiros nunca me passou da memória, desde a primeira vez que a (ou)vi. É um dos momentos mais marcantes do filme. Red mostra-se estupefacto com a capacidade que Andy demonstrou ao usar apenas um minúsculo martelo de esculpir pequenas peças em pedra (como peças de xadrez) para fugir.


Hoje, exactamente 3 anos depois de ter chegado ao meu actual emprego (e mais de 8 anos desde o momento em que percebi que era ali que queria trabalhar), tive pela primeira vez a possibilidade de me sentar na MINHA secretária. Foi-me finalmente dado um posto de trabalho individual. O meu canto, a minha "casa" fora de casa. Uma mesa, um computador. As gavetas ficarão para depois, certamente. Mas é um princípio. Há quase 9 anos, lembro-me, pensei que ser "mais um" naquele ambiente de trabalho, com os mesmos direitos que os outros, era um objectivo ambicioso mas razoável. Foi conseguido, enfim. Demorou "só", dependendo da perspectiva, exactamente 3 anos ou quase 9. Mas partindo do princípio de que um colega meu só obteve o seu computador e posto de trabalho na redacção há dias, mais de 10 anos depois de se ter tornado profissional da casa, o meu "martelinho" trabalhou bem mais rápido do que seria de esperar.



Salvation comes from within... but the desk comes from the good will of your boss!...

sábado, 3 de novembro de 2007

O Umbigo Ambíguo

Era uma vez um umbigo ambíguo que por ser ambíguo tinha dificuldade em dar-se com quem quer que fosse. Todos o achavam estranho, como não é de estranhar. Precisamente por ser um tipo incerto ninguém o queria por perto e o seu lado obscuro tornava o contacto com ele extremamente duro.

Dura era a existência do umbigo ambíguo, coitado, que nunca devia ter hesitado em mudar de vida quando essa mudança mais lhe foi que pedida. Não o fez, perdeu a vez. E, por isso, foi sempre infeliz, desde petiz.

Dias volvidos e esquecidos passaram sem que o umbigo ambíguo quisesse ou pudesse sequer mudar. Mas o dia chegou e tudo mudou. Ou então, não.

O facto é que o umbigo ambíguo bem tentou (e muito se desunhou) para fazer amizade de verdade. O primeiro "candidato" foi um abcesso com sucesso, mas a coisa não vingou. Depois veio o dente de um pente, mas um dia descobriu que afinal ele gostava mais do pêlo de um camelo que, entretanto, tinha escovado com especial cuidado. Mais tarde, em desespero de causa, decidiu fazer uma pausa e conheceu uma cadeira espreguiçadeira. Essa relação, calma e sem qualquer preocupação, tinha tudo para resultar e resultou… mas só enquanto durou.

Cansado e desanimado, o umbigo ambíguo esteve prestes a decidir que ia desistir. Até que, sem mais quê nem para quê, se cruzou com o joelho de um coelho, que lhe disse "Olá! Então, como está?". Aquela situação causou-lhe muita confusão. "Os coelhos não têm joelhos!", disse o umbigo ambíguo. "E os umbigos não deviam ser ambíguos! Deviam ser só umbigos, normais e nada mais!", retorquiu o joelho do coelho.

E, de facto, (nem um nem outro) não eram normais, o que (a um e a outro), os distinguia dos demais. Ao que se sabe, aquela amizade de verdade surgiu e não mais fugiu. E é isso mesmo que faz o mundo girar sem parar. O abcesso continua com o seu sucesso. O dente do pente ainda se dá bem com o pêlo do camelo e que por ele continua a ser escovado com cuidado. Quanto ao umbigo… continua ambíguo e quase sem ninguém por perto, é certo. Mas, agora, pelo menos, o umbigo ambíguo já tem um amigo.