
Nos últimos dias, tenho estado a trabalhar no Mundialito de Futebol Feminino, que termina amanhã, no Algarve.
Tem sido, para mim, uma experiência enriquecedora a vários níveis. Por um lado, iniciei-me na função de narrador de jogos de futebol (com todas a gaffes - creio que mais embaraçosas do que demasiado graves - que a inexperiência em algo que nunca se fez não consegue evitar) e sinto que tenho melhorado o trabalho. Por outro, a proximidade com a variante feminina do futebol abriu-me definitivamente os olhos para algo que eu já tinha observado de forma breve, há algum tempo, e entendo agora muito mais do que entendia sobre a realidade do futebol feminino em Portugal*, o que me leva mesmo a ter um punhado de ideias que - em havendo vontade de quem "manda" - podem ser utilizadas no fomento da modalidade. E, sinceramente, num país com tanto futebol (mas infelizmente também tão fraquinho de uma forma geral) é desejável que uma lufada de ar fresco apareça, por exemplo, por parte das mulheres (e, se possível, não incorrendo nos erros do futebol masculino português).
É aí que, num primeiro olhar, tenho percebido que esse fomento pode correr mal. Em primeiro lugar, porque ninguém aposta no desporto jovem de forma séria, quanto mais no futebol feminino; «o futebol é para homens» é ainda uma frase que se houve em barda, ... em 2009. Em segundo, para me documentar, tenho obviamente feito a pesquisa possível sobre o universo do futebol feminino português e, ao que me é dado a perceber, o nível competitivo das provas internas é, naturalmente, ainda sofrível (mas tem margem de progressão - havendo mais praticantes) e não há muita informação sobre o que realmente se passa na competição nacional: a dada pela FPF é manifestamente escassa e a que há é dada pelos clubes ou por elementos afectos de alguma forma aos clubes, o que gera muitas vezes a confusão entre a informação (por vezes, rica e precisa) e a clubite (com discussões tão "peludas" e lamentáveis quanto aquelas a que assisto entre adeptos do futebol masculino). Percebo que assim seja, já que os sites (blogues) que abordam o tema não são oficiais e não carecem de um "código deontológico" mas tenho pena, já que isso significa cair no que de mau o futebol já tem por cá.
Nesses sites, que acompanho tentando encontrar informação que me seja útil (e é, desde que filtre bem o que é informação e deixe de lado o que é clubite), tem surgido uma crítica recorrente ao trabalho desenvolvido pela comunicação social em relação ao futebol feminino e, mais precisamente, a este mundialito.
Pelo trabalho feito pela restante comunicação social não queria pronunciar-me muito mas posso adiantar que, se parte aquilo que pesquiso for também (e será, de certeza) parte daquilo que os outros jornalistas pesquisam para os ajudar a iniciar o seu trabalho sobre o futebol feminino em Portugal, talvez fosse bom haver maior preocupação sobre a informação, precisa e pertinente. Ninguém é obrigado a fazer "serviço público" mas não seria mau se quem tem informação a desse sem mais "palha" desnecessária - é só uma sugestão. Quanto ao trabalho feito por nós, TVI e TVI24, a crítica é feita mais pelo ângulo da alegada menor visibilidade do mundialito no estreante canal de cabo (ainda para mais, só disponível na ZON) do que em anos passados, na RTP2. Em primeiro lugar, os números preliminares mostram-nos que talvez não seja bem assim e também acredito que a exposição que a TVI (generalista) tem dado à Selecção por estes dias ajudou em muito, por exemplo, à calorosa recepção que a equipa teve no Fórum Algarve no domingo, com centenas a querer falar com as jogadoras ou delas ter um autógrafo. Sim, os jogos estão no cabo e não em canal aberto. Mas também no cabo passou uma reportagem minha sobre o 1º de Dezembro, em jeito de "aperitivo" para o Mundialito. Quando foi a última vez que em canal aberto surgiu uma reportagem sobre futebol feminino?... E quando é que a Selecção foi tão falada e admirada?...
* - Muito Obrigado ao Prof. Pedro Moreira que, sendo ainda mais estreante do que eu nesta coisa dos comentários de bola, trouxe um belíssimo capital de conhecimento de causa ao nosso trabalho no Mundialito.
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PS: Gosto de ver jogar a nossa selecção de futebol feminino. Há jogadoras com real valor e uma entrega em campo impressionante; só é pena a diferença de poderio físico que ainda faz com que equipas mais musculadas (na Alemanha, por exemplo, o porte atlético das jogadoras é algo dificilmente adjectivável) tenham supremacia. De resto, os quilómetros corridos pela Carla Couto, a técnica da Sofia Vieira, a regularidade de Kim Brandão, Síliva Rebelo, Lissette Brandão e Sónia Matias e o instinto e combatividade de Edite Fernandes fazem da equipa nacional uma formação que dá gosto ver jogar. E do que vi nestes dias (e também durante a reportagem do 1º de Dezembro), vejo pelo menos duas potenciais craques em crescimento, que agora chegam às "AA": Dolores Silva e Ana Borges (esta última, para mim, já é mesmo craque - que avançada!).