
É assim há vários dias (e sobretudo, noites) no Bairro da Bela Vista, em Setúbal. Mantém-se o clima de guerrilha urbana (como já ouvi dizer) ou mesmo só o de violência gratuíta perpetrada por uma "meia dúzia" de elementos problemáticos do verdadeiro gueto que é aquela área da cidade. Acontece lá e todo o país vê, através da televisão, dos jornais e da internet, com a rádio também a relatar os últimos incidentes, os carros queimados, os caixotes do lixo postos a arder e as detenções feitas pela polícia. É assim há vários dias. Há vários dias a mais do que deveria ser. Continuo sem perceber porque é que é que este episódio violento ainda não terminou, pura e simplesmente. Já se percebeu que a morte de um habitante do bairro tão longe dali como no Algarve, alvejado pela GNR (e não a PSP que agora leva com os tiros e os Cocktails Molotov), por se ter posto em fuga após um assalto a uma máquina de MultiBanco (um homem inocente não teria de fugir) foi só um pretexto, pelos vistos desejado, para o rebentamento de uma "bomba" já prestes a explodir há muito. Primeiro, vieram as provocações, depois os desacatos, a reacção das forças da autoridade e a resposta dos meliantes. Nada disto está terminado, como deveria. Pergunto-me o que motiva estes "elementos problemáticos". Já vivi perto de um bairro assim e essa motivação é, quase sempre, poderem ser vistos como "os maiores", ou seja, vaidade. Se assim for também na Bela Vista, o que o país está a ver pela televisão é um espectáculo triste cuja continuação serve apenas a vaidade de uns quantos que se orgulham de serem criminosos e a vontade de outros como eles, noutros bairros (ali ou noutra cidade do país), que também desejarão ter o mesmo "tempo de antena" na comunicação social. A constatação pode ser exagerada mas penso que, se esta situação não for debelada decisiva e rapidamente, o problema vai alastrar-se. Todos os vírus maléficos são assim. E a violência é um vírus, digam o que disserem.








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