sexta-feira, 18 de junho de 2010

Teremos sempre Estugarda!


E pronto. Começou o Mundial. E com o Mundial começou também o meu imbróglio.

De dois em dois anos, lá acontece. Torço por duas equipas. Não espero que todos me entendam mas quem é ou foi emigrante (e feliz, no país que o recebeu) saberá do que estou a falar e, eventualmente, rever-se-á até nas minhas palavras.

Nasci na Alemanha. Lá vivi até aos quatro anos de idade. Lá vi a bola rolar pela primeira vez. E lá aprendi (ainda para mais, tendo nascido na década de 70) que o futebol era qualquer coisa como “11 para cada lado e no fim ganha a Alemanha”.

Naquele país, pode-se ter dúvidas da existência do Pai Natal (figura, aliás, muito querida na cultura germânica – e não é por causa da Coca-Cola, já que eles têm um Santo Nikolaus só para eles!) mas NUNCA que a Alemanha é pátria de bola a sério. Por cá, na pátria da “quinas”, nós também achamos o mesmo e vivemos a bola tal e qual comemos torresmos [gostamos sempre!... mesmo que nem sempre seja(m) de grande qualidade]. A diferença é que a precisão norte-europeia (que rendeu aos alemães três títulos mundiais e outros tantos da Europa) não se aplica ao futebol luso. Até jogamos mais bonito (quando temos gente para isso) mas títulos não é coisa que abunde por estas bandas. Pena.

Tendo estas duas referências (e influências), acabo por ter sempre duas “camisolas” a defender nas grandes competições.

Vantagens: tenho mais hipóteses de festejar títulos; posso vibrar com futebol eficiente e geométrico ao mesmo tempo que vibro com futebol fantasioso e mais emocionante; posso acompanhar os jogos ao sabor de chouriço assado português e cerveja alemã (associação que aconselho vivamente para quem nunca experimentou) …

Desvantagem (só uma): quando as duas equipas se defrontam é uma maçada. Hesito sempre mas (claramente, em meu prejuízo) acabo sempre por optar por Portugal.

Na verdade, aborrece-me que seja costumeiro a Alemanha bater Portugal e que haja apenas uma vitória claríssima deste lado (no Euro 2000, por 3-0; golos – todos! … quem diria?! – de Sérgio Conceição). E aborrece-me ainda mais quando, como em 2006 e 2008, os jogos perdidos por Portugal sejam decisivos (em 2006, podia ter dado o 3º lugar no Mundial e em 2008, o acesso às meias-finais). Também me chateia que um dos episódios mais tristes do futebol lusitano tenha acontecido num jogo com a Alemanha. Era de qualificação para o Mundial 98… Mas aí a culpa foi de um francês, o árbitro Marc Batta (o que ajuda muito ao meu asco de estimação pelo futebol gaulês).

Ainda assim, continuo a gostar muito de ver a Alemanha jogar (e este ano vibro especialmente, desde a goleada fantástica aplicada à Austrália, com futebol de primeira água da “Mannschaft”) e sinto que alguns alemães, mesmo sem ligações a Portugal, gostem de ver a nossa Selecção dar espectáculo (quando dá…).

Em comum, acho eu, teremos sempre… Estugarda. O jogo em que Carlos Manuel fez maravilhosamente o impossível, apurou Portugal para o Mundial de 86, sem eliminar a Alemanha que, no México, foi vice-campeã (Maradona… Nada a fazer...). Um golo maravilhoso. Que encantou Portugal e a Alemanha, imbatível há décadas até aquele momento. Bem batida. Com um toque de magia. Lembro-me de ter ouvido que os adeptos germânicos no estádio aplaudiram o tento do "6" português. Nesse dia, acho que até os derrotados jogadores alemães se sentiram privilegiados por estar em campo e poder presenciar aquela obra de arte ali no relvado, de tão perto.






= = = =


Texto publicado, originalmente, no jornal


segunda-feira, 7 de junho de 2010

O Jogo #500 da Selecção Nacional


Ricardo Ornellas, treinador (chegou a ser seleccionador nacional) e cronista das décadas de 50 e 60 chamou-lhe "a equipa de todos nós".

Ora... a equipa de todos os portugueses faz esta terça-feira o jogo 500 de um percurso que começou a 18 de Dezembro de 1921, num jogo contra a Espanha em Madrid.

desde então, a equipa das quinas, como também é conhecida, viveu precisamente como o futebol português, entre altos e baixos, sucessos e insucessos.

1966 é uma das páginas de ouro da selecção nacional. a vitória sobre o Brasil de Pelé... o frenético 5-3 contra a Coreia, a derrota com a Inglaterra que jogava em casa... o 3º lugar conquistado frente à poderosa união soviética. Nem Yashin impediu o pódio de Portugal. Foi uma campanha histórica que elevou Eusébio a melhor português de todos os tempos e fez de todos os jogadores verdadeiros heróis nacionais.

Depois o jejum, longo, de quase 20 anos, até ao Euro 84. Portugal só caiu aos pés da anfitriã, França, que tinha Platini. Portugal caiu... a muito custo... ainda deu espectáculo... Não foi suficiente. Portugal foi 3º.

Um ano mais tarde... “O” golo, o de Carlos Manuel, na Alemanha… fazia com que Portugal regressasse aos mundiais, no México 86. Começou tudo bem... acabou tudo mal. Saltillo é ainda hoje nome de terra desconhecido por todos... excepto mexicanos, claro, e portugueses.

Mais um jejum... de 10 anos, até que chegou a “Geração de Ouro”, que lançou Portugal para o europeu do ano seguinte, de regresso à Inglaterra. chegou a beijar-se a bandeira nacional mas um chapéu de Poborski deitou tudo a perder.

Em 2000, a selecção parecia imbatível, e foi... quase. “Esmagou” a Inglaterra, a Alemanha, passou pela Turquia... caiu outra vez, na meia-final, outra vez aos pés da França… e à mão de Abel Xavier.

2004... em casa... em Portugal... viveu-se um ambiente único em torno da selecção e do europeu que o país organizava. A equipa parecia ser mais de todos nós do que alguma vez tinha sido. Em campo, as coisas começaram exactamente como viriam a acabar. Pelo meio, lances mágicos, com os pés... com as mãos, com Portugal a vibrar. E depois a Grécia, a Grécia do 1º e do último dia... e o choro. Portugal foi vice. Tão perto e tão longe ficou Portugal de um título.

Veio o mundial de 2006, e os velhos conhecidos. Portugal voltou a vencer a Inglaterra e a Holanda, como se já de um hábito se tratasse... e outro “habitué” estragou a festa... Outra vez nas meias finais... Outra vez a França! Portugal ficou em 4º no mundial da Alemanha e partiu para o europeu da Suíça e da Áustria, onde depois de uma qualificação sofrida, até à última. Sem deslumbrar, a selecção cumpriu na 1ª fase, ficou nos quartos-de-final.

Agora com Queiroz ao leme, a “equipa das quinas” vai para o jogo #500, um número que por força dos Descobrimentos tem um peso inegável para Portugal. Descobrimentos que nos levaram ao Brasil, o tal país do futebol, de má memória recente e adversário na África do Sul. Antes disso ainda, no jogo meio-milhar... Moçambique, outro ponto de encontro com os Descobrimentos de há 500 anos. Agora, os novos “Navegadores” são outros. O Cabo das Tormentas há muito é Da Boa Esperança. E, não tarda, é precisamente por lá, pela Cidade do Cabo, que passa o início da caminhada para os mil jogos da Selecção Nacional, a equipa de todos nós.

sábado, 22 de maio de 2010

Ach'que parece qué pezitive!



O Clube Nacional da Imprensa Desportiva (CNID) distinguiu o «Maisfutebol» (sexta-feira, às 22 horas, TVI24) como programa de televisão do ano.

O prémio será entregue na próxima terça-feira.

Nas outras categorias de media os vencedores são estes:

Fotografia: Armando França (Associated Press) Rádio: TSF Desporto Imprensa escrita: António Santos Neves («A Bola») Prémio Vítor Santos: João Seixas («Record»)

Rosa Mota e Carlos Lopes vão receber o prémio prestígio Fernando Soromenho.

Durante a cerimónia, que decorrerá no Fórum Telecom, Durante esta cerimónia, serão anunciados os Prémios CNID-MEO 2010 para atletas, técnicos e equipas do ano de diferentes modalidades.

(in www.maisfutebol.iol.pt)

sábado, 15 de maio de 2010

Taça... é no Jamor! E não se fala mais nisso!



Sei que poderei ser acusado de ser sulista e elitista. Sei que não sou. E também sei que quem acusa os que defendem o mesmo que eu são bem mais elitistas e muito mais regionalistas do que aquilo que acusam os outros de serem.


Para mim, a final da Taça de Portugal joga-se no Jamor e não se fala mais nisso.


A razão é simples. O Jamor chama-se, na verdade, Estádio Nacional e isso deveria ser o suficiente para que não fosse posta em causa a realização do jogo da prova rainha do futebol português num local que é histórico, que é mítico, que é o palco ideal para um jogo especial para todo o país, quaisquer que sejam os clubes em confronto.


Eu sou um confesso amante da competição Taça de Portugal. Adoro o facto de poder não ser um dos “suspeitos do costume” a levar o caneco. Adoro a festa que o povo faz na mata do Jamor, antes e depois do jogo decisivo. Adoro que os clubes ditos mais pequenos tenham o sonho de um dia pisar a relva do Estádio Nacional. A Taça… é de Portugal. Não é um caneco qualquer.


Só o regionalismo bacoco (acima de tudo, nos últimos anos, vindo de um Norte que “precisa” sempre de ter um inimigo sulista, para angariar apoio popular) pode defender que a final mais histórica do nosso futebol se jogue num estádio diferente todos os anos.


A (eventual) banalização deste jogo é, a meu ver, inadmissível.


Até agora, um único argumento pareceu ser adequado para contestar de alguma forma a realização desta final no Jamor: a falta de condições de segurança. Concordo. O Jamor não é absolutamente seguro… para os adeptos que os clubes ditos “grandes” têm, para quem a Taça de Portugal é só mais uma competição, menor, mais “fraquinha” que o campeonato, uma espécie de “só interessa para salvar a época, caso o campeonato corra mal... ou - conquistado o título da Liga - para esfregar a dobradinha na cara dos rivais”. Para todos os outros (tipos de) adeptos, desses ou de todos os outros clubes, estar no Jamor é uma honra e são eles que fazem a festa.


Pergunto a quem defende que a final deve sair do Estádio Nacional (em vez de defender que haja, por exemplo, pequenas obras de melhoramentos - que reconheço serem necessárias - ou que haja então… mais civismo de todos os agentes desportivos para que não se perca o controlo do comportamento dos adeptos) se a Taça deve ser só mais um jogo, frio, sem festa, como um jogo da Liga? Ou, então, onde mais se pode fazer a festa popular, ligada a um jogo (que é, de facto, especial), com “comes-e-bebes”, com sombra, com espaço, com liberdade e, sim, também com a segurança que o facto de não estar toda a gente comprimida num pequeno recinto garante?


Se alguém me souber responder, aceito discutir este assunto, naturalmente.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

E é assim que se cansam neurónios essenciais, por exemplo,
para que o corpo saiba quando inspirar e expirar...





Patrícia Matos: «Estás com humor muito apurado hoje.»

Marco António: «Sim. Foi feito em lume brando.»




Pronto. Agora é esperar uns dias.


O triunfo (ou, melhor, A Vitória) da bizarria - Parte 2



Depois de ter decidido dar à filha o mesmo nome da águia que sobrevoa a Luz antes dos jogos, Fábio Coentrão afirma que prefere ir ao Mundial do que ir de lua-de-mel. Cada tiro, cada melro. O moço bem pode ter jeito para jogar à bola mas é um "pé de tijolo" no que toca à vida familiar.

terça-feira, 11 de maio de 2010

"You say tomato, I say tomahto"

Adoro quando se diz ESTEJE em vez de ESTEJA.


Era só isto. Obrigado.

O triunfo (ou, melhor, A Vitória) da bizarria



Acabo de saber que Fábio Coentrão vai ser pai e que vai dar à filha o nome Vitória. Ora aí está algo que não me ocorreu, aquando do nascimento da minha filha: dar nome de animal de estimação (é o que a águia é). Bom... Já decidi. Se voltar a ser pai, no caso de ser menino, chamo-o de Bóbi e no caso de ser menina, Lassie.

A nossa "telenovela brasileira"



Vivemos hoje aquilo que sempre dissemos do Brasil: que as novelas eram a forma do país fantasiar com vidas melhores do que a que vivia na realidade, com a pobreza real a contrastar com a riqueza das personagens da tv. Hoje, Portugal vive "anestesiado" por um título desportivo que de nada vale para a (vazia) carteira do cidadão, a que foi tirado dinheiro para uma visita papal, tão espampanante quanto inútil.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Um "Pica-Miolos" com objectivos
(ou "Um chato com 'ganas' de tentar fazer coisas diferentes")



Sei que canso as pessoas que me rodeiam a falar-lhes das ideias que vou tendo para fazer coisas novas, diferentes, num meio que deve estar em constante evolução mas onde a evolução [vítima da ditadura das audiências] se faz a conta-gotas - não vá algo de "brusco" afugentar o público, nem que seja por 5 minutos. Eu defendo que o que se estranha primeiro, entranha-se depois. Luto por esse ideal, mesmo que canse os outros no processo, se for isso o necessário para lá chegar.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Google, o nosso "Balcão Central" de todas as horas



Quando era miúdo e - ainda na Alemanha - ia a um grande supermercado com os meus pais ficava fascinado com as mensagens no sistema sonoro da loja que anunciavam onde os clientes poderiam resolver qualquer problema - desde uma simples reclamação, uma devolução de um produto ou até encontrar um miúdo como eu perdido da família. Aquele «Não hesite em dirigir-se ao Balcão Central!» que se ouvia em todo o supermercado dava-me a garantia de que não haveria imbróglio que não se pudesse resolver num Balcão Central de um supermercado. Na altura - santa inocência! - pensei mesmo que se os líderes dos povos em guerra se dirigissem a um desses balcões, saiam de um qualquer supermercado com um aperto de mão dado e a certeza de não haveria mais tiros para ninguém.

Obviamente, o tempo passou e cedo percebi que num Balcão Central de um supermercado os tais “quaisquer problemas” que os clientes podem resolver são só mesmo reclamações, devoluções e ter um ponto de encontro para criançada que fique um tempinho mais no corredor dos brinquedos enquanto os pais vão comprar hortaliças e pack’s de cerveja. Ainda assim, gosto de pensar que os miúdos - embora muito menos inocentes, hoje em dia - ainda sentem o mesmo que eu sentia, ao ouvirem «Não hesite em dirigir-se ao Balcão Central!»

Nos tempos que correm, a resolução de qualquer problema passa mais pelo Google do que por um super ou hipermercado; ou até do que por outro lugar, real ou virtual. Aliás, tenho a sensação de que, caso tivessem essa oportunidade, até os hipermercados mudariam a sua mensagem do sistema sonoro. Sugestão minha: «Caro cliente. Obrigado pela sua preferência. Aproveite as nossas promoções. Para a resolução de qualquer problema, não hesite em… consultar o Google.com. Eles lhe dirão como pode resolver a questão, de certezinha. Obrigado!»

Na verdade, eu próprio concordaria se isso acontecesse um dia. O Google faz mais por mim do que um qualquer funcionário de qualquer Balcão Central, seja de um supermercado ou mesmo - desconfio - das portas do Céu (onde se devem resolver os derradeiros - e mais complicados - problemas de cada um). Basta escrever o que preciso e os links de interesse sobre o assunto em causa como que “jorram” de imediato. Um deles vai ajudar-me de certeza. Não se pode pedir mais do que isto. Ou melhor… Se calhar, pode. O que eu acho que falta ao Google é só mesmo que, quando surge um problema na vida das pessoas, haja logo uma mensagem a ecoar na cabeça de cada um, dita em voz-padrão, em tom colocado e com as reconfortantes palavras: «Não se preocupe! Vá ao Google! Vai ver que a coisa resolve-se num instante!»


É obvio que não poderia ser numa instalação sonora. À frequência com que os habitantes do planeta têm problemas, não se ouviria mais nada no mundo a não ser isso. O ideal era a mensagem ser emitida dentro da própria mente em stress, e apenas audível por quem tivesse o que quer que fosse para solucionar. Hmmm… Talvez seja pedir muito… para já. Um dia lá chegaremos, certamente. Mas ninguém me tira da ideia que o Google não esteja a trabalhar nisso ou não terá mesmo já uma solução para esse problema também.

domingo, 18 de abril de 2010

8 meses e 10 dias de pura sabedoria


De tudo que que já ouvi acerca do imbróglio causado pela núvem de cinzas do vulcão islandês, a declaração mais sábia surgiu de quem menos esperava: a minha filha BU, de 8 meses.






Olhou para a TV, tirou a chupeta, apontou para a núvem no ecrã e disse: «ÔBÁ-BÁ-PÁ-Ô-PÁ-ÔBÁ-BÁ-BÁ-Ô!» Depois riu-se. Concordo. Mais vale levar isto tudo sem explicações muito científicas e com bom humor.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010

sábado, 27 de março de 2010

Adoro trabalhar com pessoas de quem gosto de verdade


E a divulgação deste video, deste momento que acima de tudo é familiar (no sentido de que há coisas - figuras! - que só fazemos em frente a pessoas que nos são muito próximas), mais do que gozo é uma homenagem. Ao Pedro. Porque se para qualquer um é um prazer e um orgulho conhecer pessoalmente e privar com os seus ídolos, trabalhar com eles é um verdadeiro privilégio.





quarta-feira, 24 de março de 2010

sábado, 20 de março de 2010

Fada do (1º) Dentinho


As Estátuas



Invariavelmente, são todas vistosas, representam a imagem outrora perfeitinha de alguém cujo tempo já passou, são imóveis, são inúteis e, mais cedo ou mais tarde, acabam todas cagadas pelos pássaros.