sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Adeus, 2010


Diga-se o que se disser de 2010... para mim, foi bom. O programa para que mais contribuo ganhou um prémio, fiz peças e reportagens que idealizei mas que nunca pensei que chegassem ao ecrã, fui elogiado e criticado em doses iguais, em termos familiares correu praticamente tudo bem... e, acima de tudo, ouvi pela primeira vez a minha filha chamar-me Pai.

Não posso pedir mais do que isto para ser feliz.

Mas se 2011 for melhor...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

"האח הגדול" ... ישראל בסגנון" || Big Brother... israeli style


«Don’t take it personally. All the questions, I mean. It’s for your own safety… and ours!», disse-nos o taxista que nos levou «a voar», entre o hotel e o aeroporto de Tel Aviv. (Sim… programar mal o despertador em dia de voo não é de todo recomendável. Principalmente em Israel.)

Naqueles quinze curtos minutos de viagem a alta velocidade, o condutor, na casa dos seus cinquentas-e-muitos, alternava a atenção nas três faixas da via rápida e no volante do Mercedes - novo, em estado impecável para um táxi - com algumas rápidas fugas do olhar para o espelho retrovisor, para falar connosco (eu e o repórter de imagem da TVI, João Pedro Matoso).

O tema de conversa foi a que se tem com qualquer estrangeiro que se apreste para deixar o país. Perguntou-nos com que impressão tínhamos ficado da sua cidade, nas pouco mais de 72 horas que passáramos em Tel Aviv. A nossa resposta foi extremamente positiva, até porque a cidade é, de facto, uma bela cidade, cosmopolita (a mais rica de Israel), com gente acolhedora e turisticamente fantástica. Único senão… «Pedem-nos os passaportes e interpelam-nos por tudo e por nada, a qualquer hora, em qualquer lugar!», dissemos. Bom… Isso e ver várias AK47 “passearem-se” pelas ruas, carregadas, ao ombro de jovens militares (demasiado jovens, pareceu-me; embora na verdade, pelo sim pelo não, também não lhes tenha perguntado a idade). Isso, confesso, é coisa para fazer alguma confusão. O experiente taxista sorriu e descontraidamente revelou-nos que também ele possuía uma arma, que a trazia no interior daquela viatura. «Praticamente toda a gente anda armada, em Israel», disse. E aí eu fiquei muito mais “descansado”, não haja dúvida.

Aquilo que não entendemos é, para os israelitas, perfeitamente natural. Os cortes de estrada aleatórios para controlo policial ou militar, check-points nas entradas e saídas das cidades, a desconfiança de todo e qualquer um em relação a todo e qualquer um… «Em cada israelita há um “polícia”, um “militar” ou até mesmo um “espião”. Eu posso ser taxista ou talhante… Na hora de defender o meu país, defendo-o como puder, ajudando com o que me pedirem; seja informações ou outra coisa qualquer», revelou o nosso último transportador em Tel Aviv, antes do voo para Portugal. Um outro condutor de táxi, no dia anterior, tinha-nos dito que, para além de taxista, era paramédico do Exército, na Reserva; que tinha de cumprir cerca de 30 dias por ano de serviço militar e que tinha esse espírito de missão por obrigação imposta pelo país e também por opção própria, apesar de ter amigos árabes, que um dia poderão estar do outro lado da “barricada“. «O Povo gosta de Paz. Não queremos problemas com ninguém. Mas aqui, estarmos seguros, é muito difícil.», foi uma coisa que ambos os profissionais do volante nos disseram. Entretanto, chegávamos ao check-point à saída de Tel Aviv e taxista aconselhou-nos a só mostrarmos os passaportes se nos pedissem, refreando o meu reflexo condicionado de o tirar da mochila, por me terem pedido para o mostrar imensas vezes nesses três dias. O militar que mandou parar o automóvel perguntou de onde éramos. Respondi que éramos portugueses e que estávamos de partida. Mandou-nos seguir viagem e o taxista partilhou um pouco mais de experiência acumulada: «Não lhes diga mais do que aquilo que lhe perguntam. Eles sabem quem vocês são, desde que cá entraram. Só querem saber se tudo “bate certo”.» Pensei de mim para mim: «De facto, fui um bocado totó, fui…»

Este cenário “big-brotheriano” é, no mínimo, assustador para qualquer amante da liberdade. Tel Aviv é a cidade mais liberal de Israel e ainda assim as medidas de segurança (reais, embora muito menos “à vista” que nos resto do país) são enormes. Imagine-se no resto do território. Sermos jornalistas de televisão também não nos ajudou a passarmos despercebidos - verdade seja dita - mas o facto é que mesmo quando nos deslocámos pela cidade sem a câmara percebemos que nada é deixado ao acaso, no que toca a tentar evitar o inevitável (é impossível pensar que Israel - dada a sua posição geográfica e política - não será alvo de futuros atentados).
Já alguma vez imaginou ter de passar por uma revista com detector de metais e ver as sua mala, mochila ou até carteira minuciosamente inspeccionadas à entrada de um centro comercial ou de uma loja de roupa, onde entra, só para “ver as modas“? É isso que acontece por aquelas bandas, em quase todos os estabelecimentos comerciais, desde mercearias e supermercados até lojas de artigos desportivos e hotéis (nenhum hóspede entra sem mostrar passaporte sempre que pedido e também há detector de metais à mão, para situações mais suspeitas). Um segurança está sempre à porta, não para evitar saída de produtos roubados mas sim para evitar a entrada de armas ou explosivos. Qualquer pequeno “ajuntamento” de duas ou mais pessoas num espaço público exíguo é merecedor de um controlo de segurança mais apertado. A população local habituou-se a isso. Nós dificilmente vemos aquilo como possível no nosso dia-a-dia. Mas o medo tudo justifica.

Nos Estados Unidos, a última grande polémica é a do zelo desmedido na revista corporal aos viajantes de avião. Depois do scanner de Raio X que mostra as pessoas totalmente nuas nos monitores dos seguranças dos aeroportos, as autoridades definiram que aos indivíduos suspeitos, aos que recusem a inspecção pelo scanner ou até mesmo a pessoas simplesmente escolhidas aleatoriamente seja obrigatório aquilo que muitos americanos caracterizam de um atentado à privacidade. A nova norma de revista corporal vai mais muito além daquilo que se pratica nos aeroportos do resto do mundo. Permite apalpação dos genitais, das mamas, revista ao interior… da roupa interior… Há coisas que se fazem nestas revistas (mesmo que por cima da roupa) que só se vêem em filmes com forte carga erótica… mas com mais sensualidade (no caso dos filmes, claro). Neste período festivo de Acção de Graças, muitos sobrinhos do Tio Sam optaram por visitar a família viajando de carro ou comboio, em detrimento dos voos internos. As empresas de aviação clamaram desgraça e quem viajou de avião decerto não gostou nada de ser apalpado sem direito a um prévio cafézinho, jantar ou cineminha, para conhecer melhor o funcionário da segurança que, entretanto, passou a conhecer o seu “eu” tão bem quantos os parceiros íntimos dos revistados.

Por cá, ficamos chateados só por ter de nos descalçar ou tirar o cinto das calças para passar pelo detector de metais nos nossos aeroportos (eu fico!), mesmo quando há cimeiras da NATO em Lisboa. Tanto quanto ficamos aborrecidos por ter seis quarteirões (vulgo, Parque das Nações) com medidas de segurança mais apertadas e uns quantos desvios de trânsito durante quatro dias, pelo simples (e “irrelevante”) facto de lá se reunirem umas quantas dezenas das pessoas mais importantes do planeta. É desagradável? É. Mas relativizar, por vezes, far-nos-ia muito bem.

Ir a Israel por três fez-me bem nesse sentido. Relativizei. Aceitei que, por estar ali, teria de jogar pelas regras da “casa” e aproveitei para aprender qualquer coisa para o futuro.

Não vou dizer que acho inacreditável tudo o que se faz actualmente em nome da segurança interna de certos países, porque o passado recente diz tudo acerca da probabilidade de haver confusão da grande, pelo menos em determinadas partes do mundo. Mas que é extremo, em certos casos, é. E que se estranha e dificilmente se entranha… também.

Não saí de Israel sem experimentar um pouco dessas medidas extremas. Apesar de a viagem de táxi ter sido realmente feita «a voar» e de termos chegado ao check-in do voo da Air France com 90 minutos de avanço antes da hora de partida (tempo mais do que suficiente em quase todo o resto do mundo), o balcão estava vazio e logo nos perguntaram por que tínhamos chegado tão atrasados. Atónitos, respondemos o óbvio, que nos atrasámos devido à parvoíce de quem programou mal o despertador (para ser mais exacto, eu). Óbvio para nós… obviamente suspeito para os “funcionários da Air France” (jovenzinhos, tais quais os militares das AK47 que tínhamos visto nas ruas de Tel Aviv; só que de farda diferente e estes últimos - tanto quanto me apercebi - desarmados; mas não garanto), que nos separaram imediatamente para conversarem connosco, individualmente. Perguntas, mais perguntas, perguntas repetidas três, quatro vezes, em várias ocasiões durante a conversa. Aconteceu comigo e com o João Pedro, simultaneamente, perante duas (adivinho eu) psicólogas que nos perguntaram vezes o que fizemos em Tel Aviv, quando, a que horas, com quem, há quanto temos nos conhecíamos os dois, o que fizemos nos tempos livres, se éramos amigos ou só colegas, que provas físicas tínhamos do trabalho que fomos fazer… e, no meu caso, até quem era a mulher que aparecia numa foto nas costas de uma folha de rascunho (onde tinha imprimido uma cábula com os resultados do Grupo B da Liga dos Campeões). Era a minha mulher. «Como é que ela se chama mesmo…?» (seguido de um olhar de baixo para cima, à espera do vacilo) «Carmen.» (seguido de um olhar de “Não achas que estás a pisar o risco?!” - contrariando aquilo que o taxista me tinha dito uns minutos antes, achei que aquela pergunta era a “primeira a mais“, naquilo que eu poderia levar a peito; a minha paciência tem limites e a simpatia do condutor do “carro de praça” não dava direito mais tolerância de “porreirismo lusitano“). A “entrevista” acabou ali. Mas foi seguida de uma conferência entre os quatro “funcionários da transportadora aérea” (para ver se as nossas respostas “batiam certo” umas com as outras) e do visionamento de uma das nossas reportagens… e da revista das malas de trabalho… e de mais uns quantos problemas criados em relação ao excesso de bagagem… Sim. 90 minutos é tempo muito curto para ser um passageiro suspeito, mesmo que esteja a sair de Israel e não a entrar. Lá, programar mal o despertador em dia de voo não é mesmo de todo recomendável.

Saí de Israel cansado deste tipo de tratamento. Compreendi-o e aceitei-o mas obviamente não gostei e nem o tomei como natural. Que faz parte, eu sei. Que nunca será muito diferente para melhor, também sei. E que há a forte possibilidade de um dia todos nós, em todo o mundo, vivermos (como os israelitas, os americanos e mais uma mão-cheia de Povos) a olhar desconfiados por cima do ombro… infelizmente, também acho que venha a acontecer.

Que mais não seja, só por isso, já foi positivo ter conhecido a primeira parte do primeiro capítulo do compêndio do curso “Medidas de Segurança Anti-Terrorismo para Totós” (edição com valiosas anotações de taxista). Recomendo a edição traduzida do Hebraico, que é muito difícil de ler, da direita para a esquerda.






domingo, 14 de novembro de 2010

Curly BU

‎1 ano, 3 meses, 6 dias. Não anda porque não precisa. Mas põe-se de pé com frequência, cada vez menos ajudada pelos móveis a que se encosta para se elevar. E o prazer dela nessa evolução só é comparável ao nosso orgulho babado de ver o sorriso que nos faz (com aquela cara linda, de favola e cabelo encaracolado de miúda traquina) sempre que vê o mundo um pouco mais de cima que o habitual.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Pequeno Menino Grande

Pequeno, muito pequeno. 3 anos de idade, no máximo. A mãe foi ao café à entrada do meu prédio mas ele ficou impecavelmente sentado no muro baixinho, à frente da porta do estabelecimento. Vestido de azul escuro, dos pés à cabeça, chupeta azul, verde e laranja na boca. Seguiu-me com o olhar, sério mas terno, até me sentar no carro. Nunca desarmou. A pose com que estava sentado diz-me que talvez será uma pessoa calma e ponderada no futuro. Só fiquei curioso por saber no que pensava, ao ter preferido aquele momentinho a sós, como por vezes fazem os adultos.

sábado, 30 de outubro de 2010

"Tá? Quem fala? É... BU!"




O telefone tem cerca de 30 anos. Veio da Alemanha, com toda a família, para eu e a minha irmã brincarmos na viagem (feita de carro até Portugal) no regresso em definitivo, pondo fim à vida de emigrantes. Hoje em dia, é brinquedo predilecto da BU, quando vai a casa dos avós. Maravilha!




terça-feira, 19 de outubro de 2010

Eu acho que sei uma coisa que os economistas pelos vistos não sabem sobre a conjuntura económica



Têm sido lançados ultimamente vários livros de economistas sobre a conjuntura económica. Tenho ideia que estes economistas não serão assim tão "experts" quanto dizem ser. Se fossem bons economistas, saberiam perfeitamente que a conjuntura económica não está nada favorável à venda de livros.



quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Muitas molas, um frigorífico e alguém que os junta por "associação ilícita"




18...e meia! O nº de molas debaixo do frigorífico. Obra da BU.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Coimbra-Lisboa... "carga" preciosa... sonhos...
... e um fantasma que não fala



Foram mais de duas horas e 200 quilómetros, com estrada molhada e o mau tempo sempre a ameaçar. Nervos, tensão... tanta; a ponto de fincar as mãos no volante (que dor nos braços, agora!) o caminho todo, para que tudo corresse bem.


Razão: a "carga" mais preciosa do mundo seguia lá atrás.

Apesar da respiração difícil, por causa da constipação, dormiu toda a viagem, em absoluta paz. Abraçada ao "fantasminha" de luz, seu companheiro de todas as noites. Ao fim da viagem, dos quilómetros, das horas, da chuva, dos nervos, da tensão... tudo bem. Já em casa, quase nem me lembro do caminho feito, sequer. Só de que tentei imaginar mil vezes o que ela iria a sonhar, na sua paz.

O "fantasminha" deve saber. Mas, tal como ela, não sabe como me dizer o que foi.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A 1ª Praia





Um ano e 22 dias. Sai do carro sem saber onde está. Perde-se logo a olhar para um cão que passa mas que não lhe liga nenhuma. Diz-lhe "Olááá!" e faz um "adeus" logo a seguir. Olha em volta e vê um solo esquisito, ondulado, em tons de branco sujo, feito de grãos que, curiosamente, não lhe fazem confusão quando finalmente o toca. Gatinha na areia tão bem quanto no mosaico de casa. Não se assusta com as ondas que vê pela 1ª vez na vida. Interage. Chama pelos miúdos, pelos cães em volta, até pelos chapéus de sol... Brinca. Sorri. Uma nova descoberta cada dia. Hoje estreou-se na praia. O tempo passa a correr. A nossa filha é o melhor da vida, sem dúvida.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O Amor...





...pode ser um café bebido ao luar e à luz de velas "kitsch". E é bom assim.

domingo, 8 de agosto de 2010

1 Ano

Ao fim de um ano, há diálogos que deixam um par de pais cheios de orgulho. Pais: «Diz "BABALU", diz! BA-BA-LU!» Filha: «BABABFFFF! BA-BA-BA-BU!»

sábado, 7 de agosto de 2010

Há um ano...



Hoje falámos muito. De tudo o que se passou neste último ano e, sobretudo, do último dia em que as nossas vidas seriam aquilo que sempre tinhamos conhecido. Com alguma nostalgia (saudades da barriga grande e da excitação dos preparativos finais) e com uma felicidade imensa. Falámos do quartinho pronto, das malas à porta, daquilo que sentimos antes, durante e depois desse 8 de Agosto de 2009. Falámos da BU, o nosso mais-que-tudo. Passou um ano. Ela já gatinha pela casa toda, tenta dizer o nome, mamã e papá (até já se percebe "Olá!"), e faz traquinices a rodos. Por esta hora, há um ano, estava a pouco de chegar e de nos fazer tão felizes quanto somos hoje.




sexta-feira, 30 de julho de 2010

Always look on the bright side... of death!


Morreu António Feio. E, hoje mais do que noutros dias, constata-se... A morte é uma treta. Perde-se um "fazedor de sorriros", que queria «matar o bicho a rir, se pudesse». Não pôde... mas tentou. Nada mais nobre se pode pedir (se é que se pode pedir o que quer que seja) a alguém que vê o corpo traí-lo, sem piedade, aos poucos, e de forma definitiva.

Há hoje menos sorrisos que ontem, portanto. Ou não!...

É curiosa a relação entre a morte e a vida, que teimamos em não reconhecer, por temermos que uma ponha fim à outra. Mas não é sempre assim. O último dia semelhante a hoje de que me lembro foi o de 8 de Agosto do ano passado. No Hospital de Sta.Maria morria Raúl Solnado, perdendo-se um sorriso imenso. No mesmo dia, nasci...a no mesmo hospital a minha filha BU, ganhando o mundo um sorriso maravilhoso.

Quantos novos sorrisos haverá hoje no mundo...? E quanta vida e felicidade nos darão?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Os pedidos de desculpas (in)devidos


Nunca me aconteceu mas não deixa de me tocar directamente.

A divulgação na internet do video de uma conversa entre dois jornalistas e um comentador de um canal de televisão antes (muito antes) do início da transmissão de um jogo de futebol abriu mais uma fissura na já muito estilhaçada relação "jornalistas-clubes-adeptos".

Sim... Esta relação é sempre "a três", seja pelo simples facto de que os adeptos são o receptor do nosso trabalho (aquele que é transmitido - ou, melhor dizendo, apenas e só aquele que deve ser o transmitido publicamente), seja porque os clubes insistem em colocar o adepto na posição de "arma de arremesso" à Comunicação Social que (por culpa própria dos clubes, diga-se a bem da verdade) é o seu "inimigo número #1", só porque faz perguntas incómodas sobre assuntos incómodos que vão surgindo dia após dia (normalmente, vindos de dentro dos próprios clubes). E também porque, como todos os clubes desejam, não mostra apenas o que há de bom naquela instituição, mesmo que se fale muito do que há de mal em todas as outras.

O que se deseja mesmo, acima de tudo nos ditos clubes "grandes", é que o jornalista não informe, de todo (isso é perfeitamente secundário); mas sim que se "diga bem" deles (isso, sim, essencial e, na mente de alguns, obrigatório). Bem sei que há quem o faça e se diga jornalista. Essa até é outra questão, que não me interessa particularmente, porque nem eu sou assim, nem me dá algo diferente de asco o facto de partilhar um cartão (da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista) com essas... anormalidades do meu ofício.

Para mim, que também faço transmissões televisivas de futebol, estas situações em que surgem videos de conversas tidas em "Off" entre colegas, são como se me tivessem assaltado, com violência física. Como se me tivessem roubado as chaves de casa, sabendo a minha morada através dos meus documentos na carteira, também roubada no mesmo acto.

A partir do momento em que estes sons ficam disponíveis ao público que só tem o direito de nos ouvir desde o início da transmissão até ao intervalo e depois do reinício até ao fim do jogo (sim... não tem o direito de ouvir nada mais do que isso - tudo o resto é tão ou mais ilegal como fazer cópias de DVD's e mp3, violação de correspondência alheia, etc.) ficamos sujeitos a tudo. Principalmente, quando (como neste último episódio conhecido) um clube se manifesta oficialmente sobre o assunto, qualifica o que se ouviu (ilegalmente) como «intoleráveis» e até exige pedidos de desculpas (que - para cúmulo os cúmulos - consegue!) do canal de televisão que, em vez de simplesmente dizer «Não temos nada a pedir desculpas porque aquela conversa, oficialmente, nem existe», prefere ajoelhar-se perante a instituição e comunicar que vai instaurar os «procedimentos disciplinares adequados» em relação a uma conversa tida durante testes técnicos. Incrível!

Sobre isto, tenho a dizer que "intolerável" é um clube comunicar que «É daquilo que dizem nas nossas costas que melhor percebemos a intenção e o alcance dos comentários e observações que são produzidos publicamente». Isto é o mesmo que dizer "Quando virem jornalistas desportivos, partam do princípio que estão a falar pelas costas e, pelo sim, pelo não, o melhor é cortar o mal pela raiz. Se, depois afinal, se perceber que não estavam a falar mal - ou que só estavam a trabalhar, a relatar a verdade dos factos - paciência; pelo menos, fica-se com a certeza de que mal não falam mais." Os clubes, que lidam com as paixões dos seus seguidores e as manipulam conforme lhes convém, têm milhares e milhares num "exército" sem nome contra o "inimigo". E, um dia, este "modus operandi" vai dar (maus) frutos.

Não é raro estar ou ficarmos a trabalhar sós no meio de uma multidão, que não entende que um jornalista não são todos os jornalistas, que desde que a câmara e o microfone desligam até que volte a ligar os jornalistas não estão obrigados a relatar factos e até têm permissão para serem eles mesmos, seres humanos como todos os que os rodeiam naquele momento. Dizer "isto ou aquilo" de um jogador, de um treinador, fazer uma piada... toda a gente faz; num café, numa conversa de amigos... em todo o lado. E o mais curioso de tudo é que nós também sabemos o que dizem os clubes de nós nas nossas costas... e não é em nada melhor (é, pelo contrário, por vezes, bem pior) do que, por exemplo, uma piada ocasional sobre um guarda-redes que - dizem os factos - não tem estado bem quando muito prometia.

O que se prova é que lidamos com isso bem melhor.

Lamenta-se, de facto, tudo isto. É, aliás, uma expressão (o lamento) que, curiosamente, leio nos dois comunicados lançados acerca deste caso em particular, de um lado e do outro. Acho até sintomático este quase "acertar de agulhas" - e de Português - para bater tudo "certinho", a "bota com a perdigota"... e que venham de lá esses paninhos quentes, para amainar a coisa e sermos todos amigos outra vez.

A mim, pelo sim, pelo não, só me vão "apanhar" a falar de passarinhos e das férias que nunca mais chegam, antes dos jogos. Obviamente, se uma dessas conversas vier ilegalmente a público, vão associar isso a outra qualquer coisa que lhes dê jeito, e fazer comunicados, e/ou impedir-nos de presenciar os treinos, e exigir pedidos de desculpas... tudo na mesma.

Tentarei evitar quaisquer referências culinárias. Isso é certinho e direitinho.

domingo, 25 de julho de 2010

Atingi mais um "pico" na minha carreira!!!!


Fiz, finalmente, uma peça sobre... lagostins!...
E a palavra chuchar foi utilizada na televisão portuguesa!
Diga-se de passagem que já não era sem tempo! :-)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Hoje, ao triturar duas bolachas Maria no puré de fruta para o jantar da minha filha, lembrei-me que há 5 anos, escrevi isto...


O Verdadeiro Poder da Bolacha Maria





(publicado, originalmente, a 12 de Junho de 2005, no blog
InSenso Comum)


Descobri, completamente ao acaso, a forma de proceder à conquista definitiva do nosso país. Melhor!... Descobri, no mesmo momento, a forma de alcançar a conquista definitiva do planeta Terra!...


Já por cá explanei, amiúde, algumas linhas de pensamento que me ocorreram "aqui e ali" sobre esta temática do controlo do poder no mundo. Por exemplo, já defendi a(s) crença(s) de que tanto os japoneses como o cotão do meu computador podem estar a arquitectar a tomada do planeta à força, usando - como é óbvio - técnicas diametralmente diferentes.


No entanto, desta vez, vou um passo adiante. Não aponto um responsável por uma eventual subjugação do mundo a um poder maior. Vou, sim, nas linhas seguintes, demonstrar um dos métodos (não sabendo se há mais... mas decerto haverá) que possivelmente terá um sucesso de qualquer coisa como... 100%, se alguém o tentar pôr em prática.


A chave está nas míticas Bolachas Maria!


Nada mais simples! Quem quiser conquistar Portugal, só tem de ter paciência e bolachas Maria com fartura. Em tendo estes dois preciosos elementos... está claramente no caminho certo para dominar o nosso país.


Passo a explicar. A minha sobrinha - que está prestes a completar 11 meses de idade - passa o dia na creche até por volta das 5 da tarde, hora em que a minha irmã ou o meu cunhado (ou até eu, se for necessário) a vão lá buscar. A essa hora, todos os dias (sem excepção), os miúdos que, tal como a minha sobrinha, aguardam que os vão buscar, têm uma bolacha Maria na mão ou na boca. É um procedimento normal naquele e em centenas de outros infantários no nosso país. Aliás, segundo a minha irmã, a portuguesíssima Maria é a indicada pelos pediatras como sendo a melhor bolacha a dar aos miúdos. E a criançada parece concordar em pleno, atestando pela expressão de regozijo e os gestos frenéticos feitos pela minha sobrinha, quando a mãe lhe mostra a bolachinha, no final do jantar.


Sendo assim, parece-me claro que, estando a pequenada rendida à bolacha Maria e sendo a criançada de hoje a malta adulta do amanhã (peço desculpa pelo cliché)... quem conseguir controlar a produção da dita guloseima alimentícia, facilmente governará sem contestação nem oposição este nosso Portugal! Basta que descubra a forma de na bolacha incluir algo que venha a permitir o controlo da mente dos putos para, quando eles crescerem e tiverem idade para votar, fazer com que a chegada ao poder seja "mais fácil que tirar um chupa da boca de uma criança" (mais clichés, desta feita um - cada vez mais - politicamente incorrecto; mas... tinha a ver com o tema).


Portanto, como é fácil de constatar, só é necessário ter bolachas Maria e uns bons anos de paciência para se chegar lá.


O mesmo método servirá para o resto do mundo. Basta investigar qual a bolacha dada aos miúdos nas creches e infantários dos vários países a conquistar (daqui a uns 16... 17 anos, no mínimo).


Estou em crer que a aposta na OREO não é de todo uma aposta perdida. A bolacha de chocolate com o interior de creme é tão popular por esse mundo fora que controlar a sua produção significará garantir uma larga maioria de (futuro) apoio aquando do avanço para o domínio da Terra. Mais... Aproveito para avançar que quem quiser começar em grande e dominar logo os Estados Unidos da América deve lançar-se no controlo de uma guloseima chamada Twinkies. Ao contrário do que se assiste no nosso país, não é recomendado pelos médicos (porque o produto é altamente calórico e gordo), mas os americanos são parvos e dão "junk food" aos putos logo em tenra idade (não admira, então, que sejam todos obesos). Logo, os Twinkies (tal como as bolachas Oreo e, claro, as Maria também) devem constar na lista de prioridades dos futuros déspotas sequiosos de poder tirano e absoluto que leiam este InSenso.


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Teremos sempre Estugarda!


E pronto. Começou o Mundial. E com o Mundial começou também o meu imbróglio.

De dois em dois anos, lá acontece. Torço por duas equipas. Não espero que todos me entendam mas quem é ou foi emigrante (e feliz, no país que o recebeu) saberá do que estou a falar e, eventualmente, rever-se-á até nas minhas palavras.

Nasci na Alemanha. Lá vivi até aos quatro anos de idade. Lá vi a bola rolar pela primeira vez. E lá aprendi (ainda para mais, tendo nascido na década de 70) que o futebol era qualquer coisa como “11 para cada lado e no fim ganha a Alemanha”.

Naquele país, pode-se ter dúvidas da existência do Pai Natal (figura, aliás, muito querida na cultura germânica – e não é por causa da Coca-Cola, já que eles têm um Santo Nikolaus só para eles!) mas NUNCA que a Alemanha é pátria de bola a sério. Por cá, na pátria da “quinas”, nós também achamos o mesmo e vivemos a bola tal e qual comemos torresmos [gostamos sempre!... mesmo que nem sempre seja(m) de grande qualidade]. A diferença é que a precisão norte-europeia (que rendeu aos alemães três títulos mundiais e outros tantos da Europa) não se aplica ao futebol luso. Até jogamos mais bonito (quando temos gente para isso) mas títulos não é coisa que abunde por estas bandas. Pena.

Tendo estas duas referências (e influências), acabo por ter sempre duas “camisolas” a defender nas grandes competições.

Vantagens: tenho mais hipóteses de festejar títulos; posso vibrar com futebol eficiente e geométrico ao mesmo tempo que vibro com futebol fantasioso e mais emocionante; posso acompanhar os jogos ao sabor de chouriço assado português e cerveja alemã (associação que aconselho vivamente para quem nunca experimentou) …

Desvantagem (só uma): quando as duas equipas se defrontam é uma maçada. Hesito sempre mas (claramente, em meu prejuízo) acabo sempre por optar por Portugal.

Na verdade, aborrece-me que seja costumeiro a Alemanha bater Portugal e que haja apenas uma vitória claríssima deste lado (no Euro 2000, por 3-0; golos – todos! … quem diria?! – de Sérgio Conceição). E aborrece-me ainda mais quando, como em 2006 e 2008, os jogos perdidos por Portugal sejam decisivos (em 2006, podia ter dado o 3º lugar no Mundial e em 2008, o acesso às meias-finais). Também me chateia que um dos episódios mais tristes do futebol lusitano tenha acontecido num jogo com a Alemanha. Era de qualificação para o Mundial 98… Mas aí a culpa foi de um francês, o árbitro Marc Batta (o que ajuda muito ao meu asco de estimação pelo futebol gaulês).

Ainda assim, continuo a gostar muito de ver a Alemanha jogar (e este ano vibro especialmente, desde a goleada fantástica aplicada à Austrália, com futebol de primeira água da “Mannschaft”) e sinto que alguns alemães, mesmo sem ligações a Portugal, gostem de ver a nossa Selecção dar espectáculo (quando dá…).

Em comum, acho eu, teremos sempre… Estugarda. O jogo em que Carlos Manuel fez maravilhosamente o impossível, apurou Portugal para o Mundial de 86, sem eliminar a Alemanha que, no México, foi vice-campeã (Maradona… Nada a fazer...). Um golo maravilhoso. Que encantou Portugal e a Alemanha, imbatível há décadas até aquele momento. Bem batida. Com um toque de magia. Lembro-me de ter ouvido que os adeptos germânicos no estádio aplaudiram o tento do "6" português. Nesse dia, acho que até os derrotados jogadores alemães se sentiram privilegiados por estar em campo e poder presenciar aquela obra de arte ali no relvado, de tão perto.






= = = =


Texto publicado, originalmente, no jornal


segunda-feira, 7 de junho de 2010

O Jogo #500 da Selecção Nacional


Ricardo Ornellas, treinador (chegou a ser seleccionador nacional) e cronista das décadas de 50 e 60 chamou-lhe "a equipa de todos nós".

Ora... a equipa de todos os portugueses faz esta terça-feira o jogo 500 de um percurso que começou a 18 de Dezembro de 1921, num jogo contra a Espanha em Madrid.

desde então, a equipa das quinas, como também é conhecida, viveu precisamente como o futebol português, entre altos e baixos, sucessos e insucessos.

1966 é uma das páginas de ouro da selecção nacional. a vitória sobre o Brasil de Pelé... o frenético 5-3 contra a Coreia, a derrota com a Inglaterra que jogava em casa... o 3º lugar conquistado frente à poderosa união soviética. Nem Yashin impediu o pódio de Portugal. Foi uma campanha histórica que elevou Eusébio a melhor português de todos os tempos e fez de todos os jogadores verdadeiros heróis nacionais.

Depois o jejum, longo, de quase 20 anos, até ao Euro 84. Portugal só caiu aos pés da anfitriã, França, que tinha Platini. Portugal caiu... a muito custo... ainda deu espectáculo... Não foi suficiente. Portugal foi 3º.

Um ano mais tarde... “O” golo, o de Carlos Manuel, na Alemanha… fazia com que Portugal regressasse aos mundiais, no México 86. Começou tudo bem... acabou tudo mal. Saltillo é ainda hoje nome de terra desconhecido por todos... excepto mexicanos, claro, e portugueses.

Mais um jejum... de 10 anos, até que chegou a “Geração de Ouro”, que lançou Portugal para o europeu do ano seguinte, de regresso à Inglaterra. chegou a beijar-se a bandeira nacional mas um chapéu de Poborski deitou tudo a perder.

Em 2000, a selecção parecia imbatível, e foi... quase. “Esmagou” a Inglaterra, a Alemanha, passou pela Turquia... caiu outra vez, na meia-final, outra vez aos pés da França… e à mão de Abel Xavier.

2004... em casa... em Portugal... viveu-se um ambiente único em torno da selecção e do europeu que o país organizava. A equipa parecia ser mais de todos nós do que alguma vez tinha sido. Em campo, as coisas começaram exactamente como viriam a acabar. Pelo meio, lances mágicos, com os pés... com as mãos, com Portugal a vibrar. E depois a Grécia, a Grécia do 1º e do último dia... e o choro. Portugal foi vice. Tão perto e tão longe ficou Portugal de um título.

Veio o mundial de 2006, e os velhos conhecidos. Portugal voltou a vencer a Inglaterra e a Holanda, como se já de um hábito se tratasse... e outro “habitué” estragou a festa... Outra vez nas meias finais... Outra vez a França! Portugal ficou em 4º no mundial da Alemanha e partiu para o europeu da Suíça e da Áustria, onde depois de uma qualificação sofrida, até à última. Sem deslumbrar, a selecção cumpriu na 1ª fase, ficou nos quartos-de-final.

Agora com Queiroz ao leme, a “equipa das quinas” vai para o jogo #500, um número que por força dos Descobrimentos tem um peso inegável para Portugal. Descobrimentos que nos levaram ao Brasil, o tal país do futebol, de má memória recente e adversário na África do Sul. Antes disso ainda, no jogo meio-milhar... Moçambique, outro ponto de encontro com os Descobrimentos de há 500 anos. Agora, os novos “Navegadores” são outros. O Cabo das Tormentas há muito é Da Boa Esperança. E, não tarda, é precisamente por lá, pela Cidade do Cabo, que passa o início da caminhada para os mil jogos da Selecção Nacional, a equipa de todos nós.